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sábado, 2 de novembro de 2013



Chamada de artigos para o dossiê temático:

GERAÇÕES: juventude e velhice na sociedade moderna
Org.: Isolda Belo (FUNDAJ/PE), Luís Antonio Groppo (UNISAL/SP), Nildo Viana (UFG/GO) e Revalino Antonio de Freitas (UFG/GO)

A revista SOCIEDADE E CULTURA torna pública a chamada de artigos para o dossiê temático “Gerações: juventude e velhice na sociedade moderna”, organizado pelos profs. Isolda Belo (FUNDAJ/PE), Luís Antonio Groppo (UNISAL/SP), Nildo Viana (UFG/GO), Revalino Antonio de Freitas (UFG/GO). A publicação é prevista para o v. 17, n. 1, 1º semestre de 2014.
Serão aceitos artigos escritos em português, inglês ou espanhol, que estejam em conformidade com as normas da revista (disponíveis em www.revistas.ufg.br/index.php/fchf), e que digam respeito ao tema proposto pelo/a/s organizador/a/s, assim formulado:

As gerações se encontram entre os temas em evidência na contemporaneidade e o seu conceito comporta múltiplas significações. De acordo com o “olhar” recortado de cada campo de conhecimento ou instituição, elas adquirem contornos que lhes dão conformidade e permitem que sejam identificadas, reconfiguradas, normatizadas, tendo como centralidade temporal os ciclos de vida. Na sociologia, o esforço teórico para apreendê-las como um objeto de investigação tem sido considerável, com destaque para as reflexões teóricas de Karl Mannheim, que de certo modo apresenta à sociologia uma conceituação mais próxima ao conhecimento desse campo científico. Não obstante, do ponto de vista sociológico, o debate teórico e conceitual se encontra em aberto, exigindo atenção e rigor cada vez maior, na medida em que a complexidade da sociedade contemporânea insere novos problemas, tornando mais fluidos os recortes temporais dos ciclos de vida. Esse dossiê se propõe a continuar o salutar debate em curso, a partir de duas fases distintas do processo geracional: a juventude e a velhice. O tema da juventude vem ganhando cada vez mais espaço nas discussões sociológicas. Ao lado da produção mais antiga, novas abordagens e pesquisas passaram a ser realizar, principalmente a partir dos anos 1960 e ganhando novo impulso a partir do início do novo século, o que está relacionado com a mobilização juvenil e estudantil gestada nesse período. As culturas e grupos juvenis, suas lutas e manifestações sociais, suas condições de vida e envolvimento com outros setores da sociedade, tais como escola, meios de comunicação, políticas públicas, são alguns dos temas específicos mais desenvolvidos nessa área. A velhice é a mais recente das gerações a se inserir no campo de investigação sociológica. Sua irrupção resulta da longevidade que tem caracterizado a sociedade contemporânea nas últimas décadas, trazendo à tona a existência social de uma geração até então à margem, e que tem ocupado um espaço crescente na estrutura etária, trazendo novas necessidades e exigindo cuidados próprios de um ciclo de vida que, em si, evoca a preservação dos valores, a memória e a tradição de uma dada sociedade. 

As contribuições devem ser enviadas diretamente para os organizadores, através dos e-mails: nildoviana@ymail.com e freitas@cienciasociais.ufg.br (ou através do portal da revista).
Prazo para o envio: 20 de novembro de 2013.
Além dos artigos para o dossiê, SOCIEDADE E CULTURA também recebe, em fluxo contínuo, outras contribuições: artigos sobre temas diversos, notas de pesquisa, resenhas de livros relevantes nas ciências sociais. Tais textos devem ser enviados aos editores da revista, conforme os meios indicados nas normas para submissão.

Convocatoria de artículos para dossier temático sobre

GENERACIONES: juventud y vejez  en la sociedad moderna
Org.: Isolda Belo (FUNDAJ/PE), Luiz Antonio Groppo (Unisal/SP), Nildo Silva Viana (UFG/GO) e Revalino Antonio de Freitas (UG/GO)

La revista SOCIEDADE E CULTURA torna pública la convocatoria de artículos para el dossier temático “Generaciones: juventud y vejez en la sociedad moderna”, organizado por los profes. Isolda Belo (FUNDAJ/PE), Luiz Antonio Groppo (Unisal/SP), Nildo Viana (UFG/GO) Revalino Antonio de Freitas (UFG/GO). La publicación está prevista para el volumen  v. 17, n. 1, 1º semestre de 2014.
Serán aceptados artículos escritos en portugués, inglés o español, que estén en conformidad con las normas de la revista (consultar en: www.revistas.ufg.br/index.php/fchf), y que se circunscriban al tema propuesto por los organizadores, así formulado:
Las generaciones se encuentran entre los temas en evidencia en la contemporaneidad y su concepto comporta múltiples significados. Bajo un “mirar” recortado en cada campo del conocimiento o institución, ellas adquieren contornos que les dan conformidad y permiten que sean identificadas, reconfiguradas, normatizadas, teniendo como centralidad temporal los ciclos de la vida. En la sociología, el esfuerzo teórico para aprehenderlas en cuanto objeto de investigación, ha sido considerable, con énfasis para las reflexiones teóricas de Karl Mannheim, que de cierto modo presenta a la sociología una conceptualización más próxima al conocimiento de esa campo científico. Sin embargo, el debate teórico y conceptual se encuentra abierto, exigiendo atención y rigor cada vez mayor, en la medida en la complejidad de la sociedad contemporánea insiere nuevos problemas, tornando más fluidos los recortes temporales de los ciclos de la vida. Este dossier, se propone continuar el saludable debate en curso, a partir de dos fases distintas del proceso generacional: la juventud y la vejez. El tema de la juventud viene ganando cada vez más espacio en las discusiones sociológicas. Al lado de la producción más antigua, nuevos abordajes e investigaciones pasaron a ser realizadas, principalmente a partir de los años 1960 para luego ganar impulso a partir de inicio del nuevo siglo, y que está relacionado con la movilización juvenil gestada en ese periodo. Las culturas y grupos juveniles, sus luchas y manifestaciones sociales, sus condiciones de vida y envolvimiento con otros sectores de la sociedad, tales como la escuela, medios de comunicación políticas públicas, son algunos de los temas específicos más desarrollados en esa área. La vejez es la más reciente de las generaciones a incorporarse en el campo de la investigación sociológica. Su irrupción resulta de la longevidad que ha caracterizado a la sociedad contemporánea en las últimas décadas, tornando visible la existencia de una generación hasta entonces al margen, y que ha ocupado un espacio creciente en la estructura etaria trayendo nuevas necesidades y exigiendo cuidados propios de un ciclo de vida que, en sí, evoca la preservación de los valores, la memoria y la tradición de una dada sociedad.

Las contribuciones deben ser enviadas directamente para los organizadores a través de los e-mails: nildoviana@ymail.com y freitas@cienciassociais.ufg.br. (o a través del sitio http://www.revistas.ufg.br/index.php/fchf)
Plazo para envío: 20 de noviembre de 2013.
Además de los artículos para el dossier, SOCIEDADE E CULTURA también recibe, en flujo continuo, otras contribuciones: artículos sobre diversos temas, notas de investigación, reseñas de libros relevantes en las ciencias sociales. Tales textos deben ser enviados a los editores de la revista, conforme los medios indicados en las normas de edición.




Call for papers for thematic dossier:
GENERATIONS: youth and old age in modern society
Org.: Isolda Belo (FUNDAJ/PE), Luiz Antonio Groppo (Unisal/SP), Nildo Silva Viana (UFG/GO) and Revalino Antonio de Freitas (UFG/GO)

SOCIEDADE E CULTURA  (CULTURE AND SOCIETY) publicly announces a call for papers for the thematic dossier " Generations: youth and old age in modern society”, organized by the scholars Isolda Belo (FUNDAJ/PE), Luiz Antonio Groppo (Unisal/SP), Nildo Silva Viana (UFG/GO) and Revalino Antonio de Freitas (UFG/GO)
The v. 17, n. 1, is expected to be released by early 2014.
Articles written in Portuguese, English or Spanish are accepted in conformity with the journal submission guidelines (available in www.revistas.ufg.br/index.php/fchf), in accordance to the theme proposed by the organizers, as follows:
The generations are among the topics highlighted in the contemporaneity and its concept involves multiple meanings. According to the "look" cut off from each field of knowledge or institution, they acquire contours that give them conformity and allow them to be identified, reconfigured, normalized, and having the life cycles as its temporal centrality. In sociology, the theoretical effort to understand it as an object of research has been considerable, with emphasis on the theoretical reflections of Karl Mannheim, which somehow presents to sociology a conceptualization closer to this scientific field. However, from the sociological standpoint this conceptual and theoretical discussion remains open, requiring attention and increasing accuracy, to the extent that the complexity of contemporary society brings new problems, making more fluid the temporal approaches of life cycles. This dossier aims to continue this salutary debate, from two different stages of the generational process: youth and old age. The Youth is gaining more and more space in sociological discussions. Along with the oldest production, new approaches and researches began to be carried out, mainly from the 1960s and gaining new momentum from the beginning of the new century, which is related to youth and student mobilization gestated during this period. Cultures and youth groups, their struggles and social manifestations, their living conditions and involvement with other sectors of society, such as school, media, public policy, are some of the more specific themes developed in this area. Old age is the most recent generation category to enter the field of sociological research. Its irruption is the result of longevity that has characterized contemporary society in recent decades, bringing to the fore the social existence of a generation that had been left, and it has occupied an increasing space in the age structure, bringing new needs and requiring proper care of a lifecycle which itself evokes the preservation of values, memory and tradition of a given society.

Contributions should be sent directly to the organizers via e-mail: nildoviana@ymail.com and freitas@cienciassociais.ufg.br (or at journal’s website http://www.revistas.ufg.br/index.php/fchf)
Deadline for submission: November 20th, 2013.
SOCIEDADE E CULTURA  (CULTURE AND SOCIETY) is an open access, peer-reviewed journal published by Faculdade de Ciências Sociais of the Universidade Federal de Goiás, Brazil.  S&C is published in both print and online versions.
In addition of papers for the dossier, the journal is continuously receiving other contributions: papers on various subjects, research notes, and reviews on relevant books in social sciences.  Papers must be sent to the journal editors according to submission guidelines (see at: www.revistas.ufg.br/index.php/fchf).

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Curso de extensão sobre "Autogestão Social", EAD



   
CEAS 2013
       
O curso de extensão à distância "Autogestão Social" será realizado de setembro a dezembro de 2013. O coordenador e professor responsável é Nildo Viana (UFG), contando com a colaboração dos professores Edmilson Marques (UEG), Leonardo Proto (UEG) e Maria Angélica Peixoto (IFG) e dos estudantes Alessandro Macedo Barbosa (UFG) e Gabriel Teles Viana (UFG). O curso será realizado sob forma virtual, utilizando a plataforma Moodle e seus recursos (fóruns, chat, arquivos, vídeos, etc.) e terá carga horária de 64 horas. O curso será dividido em quatro módulos. Abaixo mais alguns detalhes do curso:  

PROPOSTA DE CURSO DE EXTENSÃO À DISTÂNCIA:
Autogestão Social

Proponente: Dr. Nildo Viana

Período: De 02 de setembro a 20 de dezembro de 2013

Forma: através da Plataforma Moodle

Carga Horária: 64 horas.

Valor: R$ 50,00

Vagas: 60

Requisitos: Conexão com internet, disponibilidade de horário (4 horas semanais), domínio mínimo de computador (digitação, uso da internet).

Pré-Inscrição: de 06 até 20 de agosto de 2013.

Inscrição: de 20 de agosto até 02 de setembro.

Pré-inscrição, Inscrição e mais informações, clique aqui.

  Objetivos: O curso tem como objetivo proporcionar um debate em torno da autogestão social, buscando trabalhar o conceito de autogestão, algumas das principais teorias da autogestão, algumas das mais importantes experiências históricas, a relação entre autogestão e outras formas de organização, entre outras questões complementares e derivadas que são importantes para compreender esta temática.

  Justificativa: A autogestão é um tema amplamente discutido nos dias atuais, sob perspectivas diferentes. Para alguns, a autogestão é uma forma de gestão de empresas; para outros é uma forma cooperativa na qual os trabalhadores gerem sua produção; já outros pensam que é uma forma radicalmente diferente de organização social, um projeto de sociedade pós-capitalista. O estudo e o aprofundamento do debate em torno destas questões se tornam fundamentais, pois sem uma consciência da realidade qualquer atividade política pode se revelar trágica, ou seja, ela pode ter um objetivo, mas o meio que se busca para atingi-lo acaba produzindo outra coisa que não se esperava. Daí a necessidade de aprofundamento do debate sobre as questões fundamentais de nossa época, entre as quais a questão da autogestão social.  

  Metodologia: o curso se realizará em 04 meses e será realizado através de exposição e espaço para debates com os participantes sob forma virtual, através da Plataforma Moodle. Nesse ambiente virtual, diversos recursos serão utilizados, tais como textos, vídeos, fóruns de debate, chats, wiki, entre outras. O curso será ministrado a partir de uma bibliografia básica que será objeto de discussão em fóruns e chats, tendo quatro módulos, discutindo eixos temáticos relacionados e complementares. A equipe executora será composta por um professor, responsável geral, e mais... professores que irão contribuir nas discussões e apoio aos estudantes, além de incentivar o debate e outras formas de atuação. A avaliação será realizada através de quatro questionários para cada módulo ou um ensaio de dez a vinte laudas, a ser escolhido pelo aluno.  

 MÓDULOS:

·      Teorias da Autogestão

 ·      Experiências Autogestionárias.

 ·      Autogestão e outras formas de organização.

 ·      Organização dos Trabalhadores, Conselhos e Autogestão Social.

terça-feira, 26 de março de 2013

CHAMADA DE ARTIGOS - ESPAÇO LIVRE




1. CHAMADA DE ARTIGOS – REVISTA ESPAÇO LIVRE
A Revista Espaço Livre está recebendo artigos para serem publicados na sua 15ª edição. Os textos devem ser enviados até dia 30 de abril/2013 para o endereço espacolivre@ymail.com, e estar de acordo com as normas de publicação da revista. Abaixo, dados e normas de publicação. Outras informações podem ser consultadas através do endereço eletrônico:


sábado, 11 de agosto de 2012

Do Discurso Eleitoral ao Discurso Governamental



Do Discurso Eleitoral ao Discurso Governamental

Nildo Viana

Depois das eleições e da pseudestesia de alegria com os novos eleitos, temos a posse e uma nova realidade. Essa mudança ocorre com o novo governo que realiza uma mutação discursiva, passando de um tipo de discurso, o eleitoral, para outro, o governamental.

Todo governo, ao ser empossado, deve trabalhar dentro de um determinado contexto e agir a partir de suas possibilidades, interesses e pressões. Assim, todo governo atua no interior de determinadas condições, que, envolvem a situação mundial, nacional, regional, e os recursos disponíveis (financeiros, humanos, etc.). Essas condições criam limites maiores ou menores dependendo do contexto.

Da mesma forma, todo governo possui seus próprios interesses e essa é a mola propulsora de sua ação. Os seus principais interesses são a manutenção da governabilidade, ou seja, das condições e possibilidade de sua manutenção no governo; o atendimento das demandas particulares dos seus integrantes e aliados; a popularidade. O principal interesse é a manutenção do governo, o que significa garantir um amortecimento dos conflitos sociais, uma base popular e institucional de apoio, privilégios e mordomias para seus integrantes, estabilidade política e financeira, entre outros aspectos. Porém, se a realização destes interesses é difícil por exigir estabilidade e amortecimento dos conflitos sociais numa sociedade marcada pela exploração, dominação e opressão, então é preciso perceber que a dificuldade é muito maior se somarmos os outros interesses de todo governo, que é o atendimento das demandas particulares de integrantes, aliados e apoios e a popularidade. O primeiro elemento geralmente entra em contradição com o segundo e por isso o governo que se sai melhor é o que consegue equilibrar ambas, bem como esconder o primeiro e propagandear o segundo. E é aqui que os recursos disponíveis têm um peso forte, pois para se conseguir fazer isto é necessário um mínimo de competência, o que nem sempre existe, principalmente devido à necessidade de substituir o critério técnico pelo político-partidário. Esses interesses que acompanham todos os governos estão intimamente ligados aos interesses da classe dominante, que também necessidade de manutenção da governabilidade, estabilidade política e financeira, amortecimento das lutas de classes, etc. Os interesses do governo são condições de possibilidade para a reprodução das relações de produção capitalistas e, por conseguinte, dos interesses da classe dominante. Assim, interesses do governo e interesses da classe dominante são complementares. Isso não impede que determinados setores da classe dominante possam ter divergência de interesses com determinado governo, pois existem conflitos intercapitalistas e pressões destes setores sobre o governo.

Como já colocamos, tais interesses possuem dificuldades de concretizar e possuem contradições. Contudo, não é este o único problema de um governo, pois as condições e pressões podem ser outros elementos que impossibilitam a concretização dos seus interesses principais. As pressões são as demandas externas, tanto as da população em geral, quanto à de grupos específicos, classes sociais, oposição partidária, meios de comunicação, setores da classe dominante, rivalidades internas no bloco dominante, etc. Algumas pressões são mais fortes, mais organizadas, mais poderosas, outras menos, algumas mais gerais, outras mais específicas. Se as condições externas forem desfavoráveis, as pressões tendem a aumentar, a satisfação dos interesses tende a se restringir, e assim o apoio popular e de aliados tende a reduzir cada vez mais.

Isto tudo cria um quadro de possibilidades que conta ainda com as pessoas concretas que estão no governo, tanto no nível da competência quanto no nível da personalidade, convicção política, etc., que pode ter um caráter mais coletivo (partidos programáticos mais definidos) ou individual (principalmente com maior poder de decisão, como presidente, governador, prefeito).

O processo eleitoral marca uma competição pelo poder que gera um tipo específico de discurso. Trata-se de um tipo de discurso cuja determinação fundamental é o objetivo de ganhar a eleição [1]. Para ganhar a eleição, é necessário constituir um discurso que convença os eleitores a escolher o candidato que profere tal discurso. Para ganhar a eleição é preciso convencer um determinado número de eleitores, geralmente alto, principalmente para os cargos majoritários, em votar no candidato que o profere, ao lado de outras estratégias (brindes, favores, etc.). O discurso eleitoral assume, para os cargos do poder executivo, que exige um maior quantum de votos, que seja policlassista (Viana, 2003) e que quando se dirige a um público específico, este deve ser grande e deve ser feito de tal forma que não entre em contradição com outra parte do eleitorado, sento tendencialmente moderado e evitando o conflito de interesses. A ideologia da representação é outro elemento que deve estar presente no discurso eleitoral (Viana, 2003).

Porém, existem outras características particulares. O discurso eleitoral é o das promessas e da humildade, marcado pelo otimismo e voluntarismo, pois precisa garantir o número de eleitores suficientes para ganhar as eleições. O otimismo deve aparecer para dar esperança de resolução dos problemas existentes, promovendo a ilusão de que irá atender às necessidades da população e garantir as condições de governabilidade. O otimismo também fica explicitado nas promessas de campanha, pois elas são o que pode proporcionar votos e quanto mais promessas, mesmo as mais estapafúrdias e irrealizáveis, mais possibilidade há de conseguir aumentar o número de eleitores, principalmente em certos segmentos eleitorais. A humildade é uma necessidade, pois antes de ser eleito, o candidato é apenas candidato, não tem ainda o poder. Sendo apenas candidato, deve se colocar como “servo do povo”, apenas um “representante” da vontade alheia. É um humilde servidor do povo, pois depende do voto deste. Da mesma forma, é um discurso voluntarista, pois precisa mostrar que os problemas existentes possuem solução e, ainda, que ela não se efetivou pela má vontade, corrupção, incompetência ou qualquer outro defeito do outro candidato/partido que estava no governo, e que por isso poderá resolver, basta ser eleito. Nos casos em que o discurso é proferido por um candidato governista, o voluntarismo se mantém, admitindo algumas dificuldades do mandato anterior ou do governante anterior, promovidas por razões alheias à sua vontade e ressaltando suas conquistas e feitos, que abrem possibilidade para sua ampliação e que criou as condições nas quais a vontade do atual candidato é suficiente para resolver os problemas existentes.

Uma vez eleito, esse discurso é substituído por outro. Se o discurso eleitoral é otimista, voluntarista e humilde, o discurso governamental é, ao contrário, o das justificativas das ações concretas e da autoridade, marcado pelo pessimismo e determinismo, principalmente quando a situação é desfavorável ou as promessas eleitorais, devido à disputa e pressão popular, foram exageradas. É um discurso de justificativa e determinista, colocando no governo anterior a responsabilidade das dificuldades e do não cumprimento de algumas promessas e/ou nas condições externas, agora reconhecidas como existentes. O problema dos recursos financeiros para cumprir as promessas, praticamente inexistente no discurso eleitoral, agora assume importância no discurso governamental. As promessas de melhoria de vida são substituídas pela dura realidade das promessas não cumpridas e muitas vezes marcada por uma situação pior e às vezes por políticas estatais contrárias ao do discurso anterior. As dificuldades, necessidade de conhecer a situação, o governo anterior e outras justificativas são apresentadas e o tom muda, o discurso deixa de ser otimista e passa a ser pessimista, sem abandonar totalmente algumas “gotas de otimismo”, uma réplica do pensamento positivo e seu “otimismo em gotas”. A realização das promessas não é simplesmente descartada, mas jogada para o futuro, geralmente longínquo. O voluntarismo é substituído pelo determinismo, o seu complemento natural, pois a vontade só não é mais suficiente, pois tem a “crise internacional”, a situação financeira deixada pelo governo anterior, o período de adaptação do novo governo e inúmeras outras desculpas para justificar a situação existente. O discurso humilde logo se transforma em discurso autoritário, o exercício do poder logo se manifesta não apenas nas práticas (inclusive as repressivas), mas no discurso de autoridade, muitas vezes acompanhado de ameaças.

A metamorfose do discurso eleitoral em discurso governamental é uma necessidade da democracia burguesa, pois ninguém ganha eleição com discurso governamental e nem governa com discurso eleitoral. Essa metamorfose é uma necessidade dos detentores do poder, que buscam manipular a população e se perpetuar no poder. É a prática da classe dominante e suas classes auxiliares, cujo objetivo é manter a governabilidade e a reprodução das relações de produção capitalistas, ou seja, a exploração do proletariado e tudo que é derivado disso. Sem dúvida, não apenas o discurso eleitoral é marcado por estas características, mas também o discurso oposicionista de quem quer tomar o poder estatal mesmo com o uso de armas, que logo muda ao conquistá-lo. Basta lembrar o discurso da Revolução Francesa (“igualdade, liberdade, fraternidade”) ou de Lênin antes do poder (“pão, paz e terra” ou “todo o poder aos sovietes”) e que logo se torna o seu contrário, onde a igualdade e os sovietes, para citar dois exemplos, são rapidamente abandonados. É o caso que se repete em todos os países e lugares, inclusive no Brasil, e às vezes assume ares tragicômicos como no caso de Fernando Collor de Mello, eleito em 1989 com o discurso de “caça as marajás” e contra a corrupção e perde o cargo de presidente para o qual foi eleito graças à corrupção.

Também o discurso eleitoral, em determinados contextos históricos, pode assumir um caráter autoritário, quando crises e radicalização de conflitos colaboram para que parte da população queira um “governo forte” para conter as lutas sociais e reprimir a mobilização popular. Porém, em situações de relativa estabilidade ou com uma conflitualidade moderada, o discurso eleitoral se mantém otimista, voluntarista e humilde. A sua duração é até o governo eleito tomar posse, e o discurso passa a ser pessimista, determinista e autoritário. O discurso político-institucional é marcado pela conveniência e oportunismo.

Referências:

VIANA, Nildo. Linguagem, Discurso e Poder. Ensaios Sobre Linguagem e Sociedade. Pará de Minas, Virtualbooks, 2009.

VIANA, Nildo. O Que São Partidos Políticos. Goiânia, Edições Germinal, 2003.

Notas:

[1] – Claro que alguns candidatos e partidos sabem que não ganharão a eleição, mas usam o processo eleitoral para barganhar cargos e ganhar popularidade para as eleições futuras.

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