terça-feira, 23 de janeiro de 2018

sábado, 13 de janeiro de 2018

Câncer social, Facebook corta na própria carne

Câncer social, Facebook corta na própria carne

Roberto Dias


O Facebook foi muitas vezes rotulado de "buraco negro da internet". Um ambiente cercado, que aumenta sem parar, invisível para quem está do lado de fora.
O buraco se tornou imenso. E com ele, foi ficando claro, cresceu um câncer social.
Cresceu tanto que o Facebook resolveu cortar na carne. É disso que se trata o anúncio feito na noite de quinta (11) por Mark Zuckerberg, fundador da empresa.
O feed de cada usuário passará a privilegiar conteúdo promovido por amigos, em detrimento das páginas de marcas –como são os veículos de comunicação.
O corte na própria carne é explicitado pelo próprio Zuckerberg: "Quero deixar claro que, com essas mudanças, espero que o tempo gasto pelas pessoas no Facebook e algumas métricas de engajamento caiam". As ações da empresa baixaram quase 5%.
É um movimento defensivo. O Facebook virou a primeira fonte de notícias para muitas pessoas, e a responsabilidade decorrente disso se mostrou um fardo grande demais. Sem ter criado mecanismos eficientes para distinguir o que é jornalismo e o que é propaganda mentirosa, a empresa se converteu num problema para a democracia.
As chamadas fake news envolvem política e dinheiro sujo. Significam colocar Donald Trump na Casa Branca. Transportam seus executivos para comitês parlamentares de investigação. Atraem policiais, procuradores e juízes. É compreensível que o Facebook queira distância de toda essa péssima reputação.
A questão é como fazê-lo.
Os movimentos da empresa contra notícias falsas sempre passaram muito longe dos lugares-chave para a solução do problema: os motores financeiro e técnico das mentiras. Porque tocar nesses dois pontos exigiria mexer no modelo que fez do Facebook uma empresa que fatura mais de US$ 30 bilhões –e quem é que quer isso?
O que a plataforma fez nos últimos tempos foram coisas que, apesar dos holofotes, têm consequência reduzida. São bandeirinhas para indicar notícias questionáveis, cursos sobre a importância do jornalismo, anúncios explicando onde mora o perigo.
A rede social agora se distancia do jornalismo. Não será um movimento sem baixas. Muitos veículos de comunicação dependem sobremaneira do Facebook para ter audiência. Em alguns países o ecossistema inteiro do jornalismo pode ser afetado.
Com a palavra, o próprio Zuckerberg, só que o Zuckerberg de um ano atrás: "Uma indústria de notícias forte é decisiva para uma comunidade informada. Dar voz às pessoas não é suficiente se não houver pessoas dedicadas a buscar informações e a analisá-las. Há mais coisas que precisamos fazer para apoiar a indústria jornalística e fazer com que essa função social vital seja sustentável".
Essa máscara caiu com o anúncio de agora. Ler notícias, diz o Zuckerberg deste ano, "tem sido muito frequentemente apenas uma experiência passiva". Neste momento, ele quer "interações sociais significativas".
Concepção que envolve uma régua sobre o jornalismo, como notou Joshua Benton, diretor do Nieman Lab, centro de estudos sobre a mídia: "A ideia de que a importância de uma notícia é definida pelos comentários, que não há valor em receber uma informação sem antes entrar num debate com seu tio, isso é na verdade uma declaração profundamente ideológica".
Assim, e paradoxalmente, um efeito possível de imediato é que as notícias falsas ganhem espaço, ficando relativamente mais visíveis no newsfeed das pessoas. É muito mais fácil interagir com uma mentira divertida sobre Bolsonaro do que encarar uma reportagem dissecando seu patrimônio. Bem capaz de vir mais Flá-flu por aí.

No buraco negro de Zuckerberg, parece não haver lugar para o bom jornalismo. No curto prazo, certamente é péssima novidade para muita gente da minha profissão. Olhando um pouco mais adiante, talvez seja uma ótima notícia para a sociedade. Ter um ator tão poderoso em algo importante como o jornalismo nunca foi bom. 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

MARX: HISTÓRIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL


 

MARX:

HISTÓRIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL


Nildo Viana



O presente ensaio busca apresentar a teoria da história em Marx. Este pensador elaborou uma ampla e complexa teoria da história que requer uma pesquisa meticulosa para ser compreendida. Realizaremos aqui, em primeiro lugar, uma discussão sobre os conceitos fundamentais da teoria marxista da história e, posteriormente, iremos apresentar a visão marxista do processo de transformação social.

Os Conceitos Fundamentais da Teoria Marxista da História


O que é a história? Esta é a primeira questão que se apresenta para nós. Marx não se dedicou ao conceito de história em seu sentido universal (que engloba a história da natureza e de todos os outros seres existentes) mas tão-somente no sentido da história da humanidade. Está implícito em sua obra que ele concebe a história da humanidade como um processo de engendramento de relações sociais por outras relações sociais.
Porém, este processo de engendramento de relações sociais por outras relações sociais traz duas questões que devem ser respondidas: a questão da historicidade e a questão do engendramento das relações sociais. A historicidade do social nos remete ao problema da continuidade e descontinuidade, da transformação e da permanência das relações sociais. Isto também nos remete á segunda questão, ou seja, ao problema do engendramento das relações sociais. Estas duas questões são, na verdade, duas faces de uma mesma moeda.
O conceito fundamental da teoria da história de Marx é conceito de modo de produção. O modo de produção é constituído pelas forças produtivas e pelas relações de produção. As forças produtivas são os meios de produção e a força de trabalho enquanto que as relações de produção são as relações sociais instituídas pelos seres humanos no processo de produção.
Aqui temos um conjunto de conceitos que precisam ser explicados. As forças produtivas são os elementos necessários ao processo de produção, que Marx divide em meios de produção e força de trabalho. Os meios de produção são os meios de trabalho (oficinas, máquinas, solo, canais, ferramentas, edificações, etc.), e os objetos de trabalho (matérias-primas, substâncias auxiliares, etc.), sendo que a diferença entre ambos se encontra no fato de que os meios de trabalho são utilizados para transformar os objetos de trabalho, o que significa que no processo de produção aqueles permanecem os mesmos e estes últimos são transformados. A força de trabalho, por sua vez, expressa o grau de capacidade física e intelectual (técnica) do trabalhador alcançado pelo desenvolvimento social. A força de trabalho é o elemento essencial das forças produtivas, pois é ela o agente do processo de produção (utiliza os meios de trabalho para transformar os objetos de trabalho) e criadora dos próprios meios de produção.
O conceito fundamental para se entender o modo de produção, no entanto, é o de relações de produção. Estas são as relações sociais instituídas pelos seres humanos no processo de produção e consistem em relações de trabalho e distribuição. Estas relações de produção, quando se instaura a propriedade privada, se tornam relações de propriedade, ou seja, relações sociais entre os proprietários dos meios de produção e aqueles que possuem tão-somente sua força de trabalho. São, portanto, relações entre classes sociais caracterizadas pelo conflito entre elas.
Neste sentido, podemos dizer que as relações de produção são relações de classes em determinadas sociedades. Daí devemos distinguir duas formas distintas de relações de produção que correspondem a duas formas distintas de sociedade: as sociedades não-classistas e as sociedades classistas. As sociedades sem classes são as sociedades pré-históricas e indígenas; as sociedades de classes são as sociedades escravista, feudal, tributária, capitalista, etc. Por conseguinte, as relações de produção podem ser relações de classes ou relações de cooperação, sendo que neste último caso inexiste a exploração, as classes sociais.
Marx centrou sua análise nas sociedades classistas, principalmente no capitalismo. Nestas sociedades, o modo de produção é um modo de relação entre as classes sociais, que são constituídas nas relações de produção. Porém, o conceito de sociedade em Marx engloba não só o modo de produção como também o que ele denominou “superestrutura”, que são as formas políticas, jurídicas, ideológicas, etc., geradas pelo modo de produção. Além disso, geralmente existe mais de um modo de produção em uma determinada sociedade. No entanto, existe sempre um modo de produção dominante, que constitui as classes sociais fundamentais, e um ou vários modos de produção subordinados.
Desta forma, o conceito de sociedade em Marx engloba o modo de produção dominante, os modos de produção subordinados e a “superestrutura” (esta expressão foi utilizada — em poucas ocasiões — por Marx como uma metáfora e não como um conceito e por isso propomos sua substituição por formas de regularização, termo que utilizaremos a partir de agora). O modo de produção dominante subordina os demais modos de produção (no caso do capitalismo, o modo de produção capitalista subordina o modo de produção camponês, por exemplo) e determina as formas de regularização (estado, instituições, cultura, ideologias, etc.).
Existe um amplo e polêmico debate sobre a forma como Marx concebia a relação entre forças produtivas e relações de produção e entre modo de produção e formas de regularização. Embora alguns aspectos da obra de Marx possibilitem interpretações diferentes, podemos dizer que Marx compreendia as relações de produção (as relações de classes, o que significa luta de classes) como elemento fundamental e determinante das forças produtivas e das formas de regularização. São as lutas de classes entre as duas classes sociais fundamentais que formam o modo de produção dominante que são o elemento fundamental para se compreender uma determinada sociedade.
Em uma determinada sociedade não existe apenas as duas classes sociais fundamentais, pois existem também as classes sociais geradas pelas formas de regularização e pelos modos de produção subordinados. Por exemplo, na sociedade capitalista não existe apenas a burguesia e o proletariado, mas também o campesinato, a burocracia, etc. Por conseguinte, as lutas de classes envolvem outras classes sociais e tornam o seu processo extremamente complexo.
Outro aspecto muito discutido é o da relação entre modo de produção e formas de regularização. O modo de produção determina e gera as formas de regularização, mas estas, uma vez instituídas (compondo novas classes sociais com interesses próprios), adquirem uma autonomia relativa e exercem, devido a isto, uma ação de retorno sobre o modo de produção. Mas não devemos esquecer que as formas de regularização possuem uma autonomia relativa e que, por isso o elemento determinante é o modo de produção.
Por conseguinte, as relações sociais geram outras relações sociais. O modo de produção dominante engendra um conjunto de outras relações sociais para realizar sua reprodução. Por exemplo, o modo de produção capitalista gerou o estado capitalista para garantir sua reprodução. O estado capitalista, enquanto componente das formas de regularização, possui uma autonomia relativa e exerce uma ação de retorno sobre o modo de produção capitalista mas no sentido de sua reprodução, de sua conservação.
Desta forma compreendemos o processo de engendramento de relações sociais por outras relações sociais. Mas falta a questão da historicidade, pois desta forma se vê apenas a continuidade. Falta o momento da ruptura, da transformação. Este é o aspecto fundamental da teoria da história de Marx e dedicaremos um item especial a esta questão.

A Dinâmica da História
A transformação social tem como fundamento a luta de classes. O modo de produção que gera as formas de regularização é um modo de relação de classes e, por conseguinte, um modo de luta de classes. Assim como ele engendra formas de regularização cujo objetivo é reproduzir o modo de produção, ele também engendra formas de regularização que buscam sua transformação e mesmo aquelas cujo objetivo é a reprodução do modo de produção são perpassadas pelo conflito de classes e por isso abrem espaço para a transformação.
O “motor” da transformação social são as lutas de classes, nas quais a classe dominante e suas classes auxiliares buscam conservar o modo de produção dominante e as classes sociais exploradas buscam transformá-lo. Cada classe social, com exceção da classe dominante, traz em si os germens de um novo modo de produção, constituindo assim modos de produção potenciais. Algumas classes sociais são estéreis em sua forma de organização social e, por conseguinte, como alternativa histórica. Em toda sociedade existem classes sociais que representam projetos históricos alternativos e é o desenvolvimento das lutas de classes que determinarão se eles se concretizarão.
Desta forma, a transformação social é resultado das lutas de classes e em um determinado modo de produção existem possibilidades históricas que são derivadas da potencialidade expressa em classes sociais determinadas. As classes sociais exploradas constituem as principais potencialidades históricas de transformação social e criam tendências históricas de transformação social. Assim, as categorias de possibilidade, potencialidade e tendência são de grande importância para a teoria da história de Marx.
Na sociedade feudal, por exemplo, a classe feudal queria conservar sua dominação e outras classes sociais buscavam solapar sua dominação. A classe servil buscou romper com a dominação feudal mas somente esboçou uma nova sociedade em seu período de decadência através das rebeliões milenaristas e messiânicas. Mas outra potencialidade histórica estava presente no declínio da sociedade feudal: a burguesia nascente impulsionada pelo movimento do capital comercial se consolidava e se constituía em classe social em ascensão através do processo de industrialização. A industrialização significa apenas a expansão das relações de classes que constituíam a própria burguesia e seu futuro rival: o proletariado. Das potencialidades históricas presentes na sociedade feudal se concretizou o capitalismo, ou seja, o conjunto de relações sociais instauradas pela burguesia.
Mas de todas as sociedades classistas Marx se debruçou sobre a sociedade contemporânea, a sociedade capitalista, buscando descobrir a potencialidade histórica de transformação social e atuar praticamente para acelerá-la. Segundo Marx, de todas as classes sociais que enfrentam a burguesia somente o proletariado é verdadeiramente revolucionário. Outras potencialidades históricas dentro do capitalismo são débeis, pois o campesinato constitui uma classe social fragmentada e a pequena burguesia não possui um projeto histórico que não desemboque novamente no capitalismo [1]. O proletariado é revolucionário porque ele traz em si a potencialidade histórica de transformação social por possuir em si os germens de novas relações de produção. Esta classe social não pode implantar uma nova forma de dominação e sua emancipação significa a libertação humana em geral, pois ela, segundo Marx, significa a abolição das classes sociais e por conseguinte de todas as formas de alienação, exploração e dominação.
O proletariado é a principal classe opositora da burguesia e se constitui graças a sua relação com esta classe. É a produção de mais-valor (mais-valia, segundo as traduções inexatas) que constitui a relação entre estas duas classes sociais e que constitui também o conflito entre elas. A burguesia busca aumentar a extração de mais-valor e o proletariado busca diminuir tal extração. Num segundo momento, o proletariado luta para abolir tal relação e ao fazer isto apresenta o projeto histórico de uma nova sociedade.
Mas quais são as relações sociais que o proletariado pode instaurar? Marx pensava em uma nova sociedade instaurada pelo proletariado que rompia com a divisão social do trabalho e com a relação entre dirigentes e dirigidos. Marx não utilizou a expressão que atualmente se usa para denominar as relações sociais que potencialmente serão engendradas pelo proletariado —autogestão — mas concebeu tais relações da mesma forma que os seus continuadores fizeram posteriormente e que denominaram autogestão. A idéia de uma sociedade autogerida não foi produto da imaginação de Marx  mas sim uma percepção que ele e outros pensadores de sua época tiveram a partir da experiência do movimento operário. O grande exemplo histórico que manifestou esta potencialidade foi a Comuna de Paris. Marx tomou esta experiência histórica como a forma finalmente encontrada de sociedade socialista oriunda da práxis proletária e lhe dedicou um texto de homenagem e análise [2]. O proletariado durante a Comuna aboliu o poder e a propriedade privada e instaurou relações sociais igualitárias e esboçou a formação dos conselhos operários, as futuras instituições responsáveis pela autogestão social em outras experiências históricas, tais como no caso da Revolução Russa (em sua primeira fase, ou seja, antes do partido bolchevique tomar o poder e usurpá-lo do proletariado em seu nome), a Guerra Civil Espanhola, a Revolução Portuguesa, entre outras.

A Atualidade da Teoria da História de Marx

A teoria da história de Marx surgiu no século 19 e se mantém viva até os dias de hoje. Mas muitos são os questionamentos e as teses de sua superação. No entanto, a grande maioria das críticas endereçadas a esta teoria são, na verdade, críticas a caricaturas dela. Sem falar nas idéias, que até muitos intitulados marxistas defendem, equivocadas do determinismo econômico e do determinismo tecnológico, a teoria da história de Marx foi transformada em mera ideologia, tal como denunciou Karl Korsch, um dos maiores teóricos marxistas do século 20, que foi, justamente por sua posições radicais, esquecido pela história oficial do marxismo.
Mas existem algumas críticas a Marx que parecem mais convincentes, pois questionam a atualidade da concepção marxista da história. Tais críticas colocam em questão a superação do “socialismo real”, o “fim da classe operária”, a “revolução tecnológica” e o “triunfo final e definitivo do neoliberalismo e da democracia representativa”. Mas qualquer análise aprofundada demonstra a fragilidade destas concepções. O socialismo real, na verdade, não passava de um capitalismo de estado e sua crise não contesta as teses de Marx, que nada tinham a ver com o regime implantado na Rússia e demais países que viveram sob o capitalismo estatal.
O fim da classe operária consiste em nada mais do que tomar a aparência como realidade, pois, se há uma diminuição quantitativa do proletariado, isto não quer dizer que ele perdeu seu papel histórico, já que isto não era derivado de sua quantidade e sim do seu caráter de classe social fundamental envolvida na relação social essencial de nossa sociedade, a produção de mais-valor. Portanto, o proletariado continua sendo uma classe fundamental e sustentáculo da sociedade capitalista e da burguesia. A diminuição quantitativa do proletariado, aliás, significa um aprofundamento da tese de Marx, segunda a qual há uma tendência declinante da taxa de lucro, pois a burguesia tende a utilizar cada vez mais tecnologia e menos força de trabalho, e é esta que acrescenta valor às mercadorias, sendo que a tecnologia apenas repassa seu valor, o que significa uma queda da taxa de lucro. A revolução tecnológica também se insere nesta mesma realidade.
A tese do “fim da história” fundamentada na idéia de triunfo definitivo do neoliberalismo e da democracia representativa não só desconsidera a crise tendencial da sociedade capitalista e os graves problemas sociais (desemprego, crise financeira, ascensão da extrema-direita com seu caráter antidemocrático, etc.) como também busca criar mais ideologia que nega a historicidade sem uma fundamentação histórica ou teórica satisfatória, a não ser uma interpretação superficial do mundo contemporâneo, onde se seleciona apenas os fatos que “confirmam” tal interpretação.
Enfim, a teoria da história de Marx não só foi confirmada pelo desenvolvimento da historiografia contemporânea como pelo próprio desenvolvimento histórico, sendo que apenas o processo de transformação social, a revolução autogestionária, ainda não se concretizou, mas que se torna uma tendência cada vez mais forte com o desenvolvimento capitalista, que é um modo de produção transitório e que encontra pela frente inúmeras dificuldades de reprodução. O movimento autogestionário, por sua vez, ainda não assumiu proporções consideráveis mas tende a se expandir com o desencadeamento de novas contradições e conflitos sociais.


Bibliografia

Cleaver, H. Leitura Política de O Capital. Rio de Janeiro, Zahar, 1981.
Guillerm, Alain & Bourdet, Yvon. Autogestão: Mudança Radical. Rio de Janeiro, Zahar, 1976.
Korsch, Karl. Marxismo e Filosofia. Porto, Afrontamento, 1977.
Laski, Harold (org.). O Manifesto Comunista de Marx e Engels. 2a edição, Rio de Janeiro, Zahar, 1978.
Magaline, D.A. Luta de Classes e Desvalorização do Capital. Lisboa, Moraes, 1979.
Marx, Karl & Engels, Friedrich. A Ideologia Alemã (Feuerbach). 8a edição, São Paulo, Hucitec, 1991.
Marx, Karl. A Guerra Civil na França. 2a edição, São Paulo, Global, 1986.
Marx, Karl. A Miséria da Filosofia. 2a edição, São Paulo, Global, 1986.
Marx, Karl. Contribuição à Crítica da Economia Política. 2a edição, São Paulo, Martins Fontes, 1982,
Marx, Karl. O Capital. 5 vols. 3a edição, São Paulo, Nova Cultural, 1988,
Marx, Karl. O Dezoito do Brumário e Cartas a Kugelmann. 5a edição, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1985.
Pannekoek, Anton. A Luta Operária. Coimbra, Centelha, 1976.
Viana, Nildo. A Consciência da História. Ensaios Sobre o Materialismo Histórico-Dialético. Goiânia, Edições Combate, 1997.
Viana, Nildo. A Expansão do Marxismo na Atualidade. In: Leitura Alternativa, ano 1, nº 2, junho de 1999.
Viana, Nildo. Alienação e Fetichismo em Marx. In: Revista Fragmentos de Cultura. Ano 5, nº 11, maio de 1995.
Viana, Nildo. Do “Jovem Marx” ao “Marx da Maturidade”. in: Revista Teoria e Práxis. Ano 1, nº 03, dezembro de 1991.
Viana, Nildo. Escritos Metodológicos de Marx. Goiânia, Edições Germinal, 1998.
Viana, Nildo. O Capitalismo de Estado da URSS. In: Revista Ruptura. Ano 1, nº 1, maio de 1993.
Viana, Nildo. O Que é Autogestão? In: Revista Ruptura. Ano 4, nº 4, maio de 1996.
Publicado originalmente em:

VIANA, Nildo. Marx: História e Transformação Social. Revista Possibilidades, Goiânia-GO, v. 02, n. 05, 2005.




1- Marx não percebeu a possibilidade da burocracia (classe social que ele reconheceu a existência em alguns escritos, principalmente O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte, mas que lhe reservou em sua concepção uma autonomia muito restrita) buscar se tornar uma nova classe dominante ou se metamorfosear em burguesia de estado, o que ficou em evidência a partir da Revolução Russa.
2 - Cf. Marx, Karl. A Guerra Civil na França. 2a edição, São Paulo, Global, 1986.

Posts Relacionados

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Assista o filme "O Jovem Karl Marx", legendado em português



Filme, "O Jovem Karl Marx". Direção: Raoul Peck. Ano: 2017.
Legenda em português: Nildo Viana Veja comentário sobre o filme:
Karl Marx no Cinema - http://informecritica.blogspot.com.br/2017/08/karl-marx-no-cinema.html http://informecritica.blogspot.com.br... O Filme "O Jovem Karl Marx" apresenta parte da juventude de Karl Marx, de 1842 até 1848, sua vida pessoal, dilemas, bem como as polêmicas e lutas políticas em anos conturbados politicamente e sua passagem e expulsão de diversos países (foi expulso da Alemanha, França e Bélgica). Dirigido por Raoul Peck, diretor haitiano e que ficou conhecido com seu documentário "Eu não sou seu negro", que tematiza a questão racial, é um filme extremamente importante por destacar uma das figuras mais famosas da história do pensamento ocidental e das lutas políticas da modernidade. O destaque do filme é a luta de Marx para fazer avançar o movimento operário, numa época dominada pelo "socialismo sentimental", o que o faz, ao lado de Engels, entrar num embate político e intelectual, cujo resultado foi o enfraquecimento do utopismo e constituição de uma expressão teórica do movimento revolucionário do proletariado, o marxismo. O filme ajuda a compreender melhor Karl Marx, o seu contexto histórico e evolução política e intelectual. O filme foi exibido, no Brasil, pioneiramente pelo Ruptura - Espaço Cultural (http://rupturaespacocultural.blogspot...) e agora é disponibilizado gratuitamente no Youtube. Veja também: A teoria social de Karl Marx (https://www.youtube.com/watch?v=nWq5O...). O que é marxismo? (https://www.youtube.com/watch?v=cs6ya...) A Ideologia segundo Marx (https://www.youtube.com/watch?v=5mBwk...) Karl Marx: Comunismo e Autogestão Social (https://www.youtube.com/watch?v=j1xqb...)

domingo, 8 de janeiro de 2017

Marxismo e autogestão, 05, online!


v. 3, n. 5 (2016)

Revista Marxismo e Autogestão 05

Revista Marxismo e Autogestão, vol. 03, num. 05, jan./jun. de 2016.

Sumário

Editorial

Pessimismo e Otimismo Texto Completo
Conselho Editorial 3-4

Marxismo Autogestionário

A Concepção Marxista de Classes Sociais Texto Completo
Nildo Viana 5-20
Marx e Bakunin Texto Completo
Maurício Tragtenberg 21-42

Marx, Marxismo e Marxistas

Karl Korsch: Breve Biografia Intelectual Texto Completo
Paul Mattick 43-60
Marx e a Ideologia Alemã Texto Completo
Otto Rühle 61-66

Análise e Crítica Marxista

O Homem e a Liberdade Texto Completo
Gajo Petrovic 67-73
Reflexões sobre a Utopia e a Revolução Texto Completo
Maximilien Rubel 74-81

Capitalismo e Luta de Classes

O Mundo Vivido e a Impotência da Consciência Texto Completo
Roy Panik 82-88
O Novo Movimento Revolucionário Mundial Texto Completo
Nicos Zagorakis 89-96

Teorias da Autogestão

A Autogestão como Conteúdo do Novo Ciclo Revolucionário Texto Completo
Nildo Viana 97-99

Experiências Autogestionárias

A Revolução Francesa de Maio de 1968 Texto Completo
Alan Woods 100-120

Autogestão e Formação

Autodidatismo e Educação Escolar Texto Completo
Leon Rodriguez 121-127

Escritos Atuais do Passado

A Destruição como Método de Luta Texto Completo
Anton Pannekoek 128-130
Mercado e Crise Texto Completo
Karl Marx 131-133

Polêmicas e Outras Perspectivas

Notas Sobre Trotsky, Pannekoek e Bordiga Texto Completo
Jean Barrot 134-143

Resenhas

Keith Jenkins: Historiografia e Poder Texto Completo
Nildo Viana 144-155

sexta-feira, 18 de março de 2016

As Lições das Ruas - Nildo Viana




As Lições das Ruas

Nildo Viana


A rua é um lugar público e de mobilidade dos indivíduos. É também o lugar onde, geralmente, ocorrem manifestações. Ontem, domingo, elas estavam lotadas. O protesto era contra o governo de Dilma Roussef e a corrupção. Algumas pessoas aprendem com as experiências, outras não. As que aprendem com as experiências possuem uma tendência de não repetir os erros do passado. As que não aprendem, ao contrário, possuem a tendência contrária, ou seja, repetir os erros do passado. É por isso que poderíamos aprender com as manifestações de ontem, que deram algumas lições que deveríamos analisar e aprender com elas. No entanto, vamos analisar as lições das ruas apenas no que se refere ao público intelectualizado, especialmente o setor alinhado à ala governista do bloco dominante (petistas e aliados) e ao bloco progressista (expresso pelos partidos políticos de “esquerda” não aliados do governo, mas envolvidos ou iludidos com ele).

A primeira lição é não subestimar o descontentamento da população. Alguns só conseguem ver o descontentamento nas eleições. A crise financeira atinge toda a população e, sem dúvida, gera um alto grau de descontentamento, que se amplifica ainda mais com as denúncias de corrupção e com a percepção de um governo inoperante que não consegue esboçar nenhuma reação diante da mesma. O descontentamento pode ficar latente e pode não ser facilmente perceptível, mas tende a emergir quando ocorrem determinadas situações que permitem sua manifestação. O pensamento burguês – em sua variante conservadora ou progressista – tende a não perceber esse processo e ver no fato apenas o fato, se iludindo com o “empírico”, tornando-se incapaz de perceber as potencialidades e tendências.
A segunda lição é não reproduzir os esquemas de pensamento simplistas, tal como a oposição entre governistas e oposicionistas conservadores como a única coisa existente. Sem dúvida, a ala governista do bloco dominante (Governo Dilma, PT e aliados) tem interesse nessa polarização e dicotomização tanto quanto a ala oposicionista (partidos da oposição parlamentar, como PSDB, DEM e outros), pois assim podem inibir atos e falas de pessoas que não querem ser confundidos com um ou outro. Em termos populares (e popularizados pelos defensores de ambos os lados), a oposição simplista entre “petralhas” e “coxinhas” beneficia aos dois, gerando não só estereótipos negativos do lado adversário, mas inibindo um terceiro lado. A polarização entre os dois lados existe, mas não é absoluta e só serve para reproduzir a falta de opção, que pode gerar extremismos no interior da dicotomização ou explosões de violência por falta de opção.

A terceira lição, intimamente ligada com a segunda, é que os setores intelectualizados da população alinhados à ala governista (ou ao bloco progressista, que parece imobilizado pela polarização e por isso não se apresenta como oposição e assim deixa a população sem opção institucional, já que a dicotomização é entre duas alas do bloco dominante, pois o bloco revolucionário é anticapitalista e antiparlamentar), deveriam ao invés de menosprezar a população, desde o que chamam de “classe média” aos trabalhadores, que alguns chamaram de “inocentes úteis”.

A classe intelectual, devido sua profissão e ofício, deveria ser mais profunda em suas análises da realidade política nacional. Mais ainda os das ciências humanas, pois isto faria parte do seu “objeto de estudo” (claro que não para certas tendências, submetidas ao “fetichismo do corpo” ou “fetichismo da identidade”, entre outras aberrações intelectuais). Infelizmente, os meios intelectualizados acabam reproduzindo a superficialidade dos partidários da ala governista ou da ala oposicionista do bloco dominante. No primeiro caso, o que é mais comum nos meios acadêmicos na área de humanas, onde a análise deveria ser mais profunda, é desqualificar os indivíduos que participaram das manifestações e, mais ainda, os trabalhadores, que seriam “inocentes úteis”. O mesmo poderia ser dito desses meios intelectualizados (mais ainda os das universidades federais), pois ao reproduzirem o discurso governista, funcionam como “inocentes úteis”. Eles acabam reproduzindo, acriticamente, as correntes de opinião dos partidos mais influentes. Obviamente que valores e interesses são poderosos nesses casos, mas lembrando de que as greves nas universidades (em 2012 e 2015) tiveram como alvo o Governo Federal e sua política de precarização dessas instituições, isto é, no mínimo, incoerente. A única explicação para a reprodução do discurso governista e simplista, no caso dos meios acadêmicos, é a ilusão da polarização que impede a capacidade de reflexão crítica. O mais curioso é que justamente os meios intelectualizados, aqueles que deveriam ser mais ativos e apresentar projetos alternativos, ou se aliam ao discurso governista que está totalmente perdido e inoperante, ou ficam na defensiva com medo de ser rotulado como estando do lado oposto, o que reforça esse mesmo lado ao não se produzir uma alternativa. A maioria das pessoas que estavam nas manifestações não era favorável à ala oposicionista do bloco dominante, mas estavam perdidos por não ter alternativa (não querem nem a ala governista, nem a oposicionista). O bloco progressista (expresso pelo PSOL, PSTU, etc.) acaba se mostrando tão inoperante na ação política e sem iniciativa quanto do governo Dilma e junto com ele uma grande camada da classe intelectual que não é exatamente pró-governista, mas que teme ser confundida com a ala oposicionista do bloco dominante.

A quarta lição é entender que não é apenas a suposta “esquerda” (nome problemático e que pode se incluir coisas distintas e até antagônicas) que consegue mobilizar a população. Ela se mobiliza espontaneamente e pode ser mobilizada por outros setores da sociedade (o capital comunicacional é poderoso nesse aspecto). A grande questão é quando a suposta “esquerda” fica ausente da mobilização, deixando campo livre para as forças conservadoras, pois eles reforçam o que combatem, contraditoriamente. Um grande contingente de pessoas com baixa politização, com alta desilusão, buscando uma alternativa que não se apresenta, vai para as ruas e o bloco progressista fica alheio (“esperando a banda passar”). O elogio de certos setores e indivíduos durante as manifestações mostra justamente isso. A miséria do bloco progressista e a fraqueza do bloco revolucionário tornam possível um juiz federal ser a figura de maior destaque nas manifestações de 13 de março.

A quinta lição é que a insatisfação da população é mais ampla do que se imaginava. A política institucional (democracia representativa, governo, etc.) enfrentou sua primeira grande crise nas manifestações de 2013 e ela foi varrida para debaixo do tapete com o circo armado no ano seguinte da Copa do Mundo de futebol e eleições presidenciais (com o reforço da repressão policial pelo governo federal). Em 2015, ela esboçou um reaparecimento, mas a polarização entre ala governista e ala oposicionista do bloco dominante acabou enfraquecendo a sua tendência de ressurgimento. A luta pelo poder e a crise financeira, criando uma situação institucional insustentável, juntando com a incompetência generalizada dos partidos, escândalos de corrupção e falta de alternativas, já mostra um novo esboço de seu ressurgimento. A crise da política institucional aumentou com a visibilidade da corrupção (e a percepção de que ninguém escapa dela) e vem reforçar o alto grau de descontentamento que já existia. Assim, a direita e a esquerda capitalista estão imobilizadas e sem capacidade de forjar uma alternativa. A solução em curto prazo seria a deposição (via impeachment ou cassação) de Dilma Roussef e novas eleições, nas quais a classe dominante esperaria, desesperada, o surgimento de alguém que pudesse relegitimar a política institucional, um salvador da pátria, que assumisse a imagem de honesto e anticorrupção (trajeto que vem sendo trilhado por Ciro Gomes), tal como aconteceu com Fernando Collor de Melo, o que é suficiente para demonstrar o seu caráter ilusório.

Resta, então, o bloco revolucionário apresentar a única alternativa possível e viável e que realmente resolve o problema: a auto-organização e autoformação da população, especialmente as classes desprivilegiadas, as mais prejudicadas por este estado de coisas, visando constituir uma nova sociedade ao invés de remendar a atual. Para isso, precisa se fortalecer, aglutinar os descontentes sem rumo, se aproximar mais da população, não temer a confusão com a ala oposicionista do bloco dominante e romper definitivamente com qualquer ilusão com a ala governista e petista. É preciso deixar claro que tanto faz se são “petralhas” ou “coxinhas”, são farinha do mesmo saco, só a cor é diferente. A crise financeira e a crise político-institucional estão se arrastando e arrastando também as classes desprivilegiadas para uma situação de precariedade cada vez mais intensa. A insatisfação tende a crescer cada vez mais e as ruas tendem a ganhar novas cores e pessoas, o que vai marcar a retirada de outras. Por isso, mais do que nunca, a formação intelectual e política da população e sua auto-organização se torna a única forma de se ver uma luz no final do túnel.

--------------------------------------------------------------------------
Versão em Áudio:
https://www.youtube.com/watch?v=SVUQ2Fm1Hgw
..................................
Leia mais:

A Insustentabilidade do Governo Dilma:

A Luta de Classes no Brasil:

A Corrupção na Sociedade Brasileira:

Veja mais:

Dilma, um rock bolero:

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A moral dos corruptos


Fonte: http://ombudsmanfacebook.blogspot.com.br/

Nesse blog e na sua página no facebook há várias críticas aos clichês que são reproduzidos no facebook.