segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Assista o filme "O Jovem Karl Marx", legendado em português



Filme, "O Jovem Karl Marx". Direção: Raoul Peck. Ano: 2017.
Legenda em português: Nildo Viana Veja comentário sobre o filme:
Karl Marx no Cinema - http://informecritica.blogspot.com.br/2017/08/karl-marx-no-cinema.html http://informecritica.blogspot.com.br... O Filme "O Jovem Karl Marx" apresenta parte da juventude de Karl Marx, de 1842 até 1848, sua vida pessoal, dilemas, bem como as polêmicas e lutas políticas em anos conturbados politicamente e sua passagem e expulsão de diversos países (foi expulso da Alemanha, França e Bélgica). Dirigido por Raoul Peck, diretor haitiano e que ficou conhecido com seu documentário "Eu não sou seu negro", que tematiza a questão racial, é um filme extremamente importante por destacar uma das figuras mais famosas da história do pensamento ocidental e das lutas políticas da modernidade. O destaque do filme é a luta de Marx para fazer avançar o movimento operário, numa época dominada pelo "socialismo sentimental", o que o faz, ao lado de Engels, entrar num embate político e intelectual, cujo resultado foi o enfraquecimento do utopismo e constituição de uma expressão teórica do movimento revolucionário do proletariado, o marxismo. O filme ajuda a compreender melhor Karl Marx, o seu contexto histórico e evolução política e intelectual. O filme foi exibido, no Brasil, pioneiramente pelo Ruptura - Espaço Cultural (http://rupturaespacocultural.blogspot...) e agora é disponibilizado gratuitamente no Youtube. Veja também: A teoria social de Karl Marx (https://www.youtube.com/watch?v=nWq5O...). O que é marxismo? (https://www.youtube.com/watch?v=cs6ya...) A Ideologia segundo Marx (https://www.youtube.com/watch?v=5mBwk...) Karl Marx: Comunismo e Autogestão Social (https://www.youtube.com/watch?v=j1xqb...)

domingo, 8 de janeiro de 2017

Marxismo e autogestão, 05, online!


v. 3, n. 5 (2016)

Revista Marxismo e Autogestão 05

Revista Marxismo e Autogestão, vol. 03, num. 05, jan./jun. de 2016.

Sumário

Editorial

Pessimismo e Otimismo Texto Completo
Conselho Editorial 3-4

Marxismo Autogestionário

A Concepção Marxista de Classes Sociais Texto Completo
Nildo Viana 5-20
Marx e Bakunin Texto Completo
Maurício Tragtenberg 21-42

Marx, Marxismo e Marxistas

Karl Korsch: Breve Biografia Intelectual Texto Completo
Paul Mattick 43-60
Marx e a Ideologia Alemã Texto Completo
Otto Rühle 61-66

Análise e Crítica Marxista

O Homem e a Liberdade Texto Completo
Gajo Petrovic 67-73
Reflexões sobre a Utopia e a Revolução Texto Completo
Maximilien Rubel 74-81

Capitalismo e Luta de Classes

O Mundo Vivido e a Impotência da Consciência Texto Completo
Roy Panik 82-88
O Novo Movimento Revolucionário Mundial Texto Completo
Nicos Zagorakis 89-96

Teorias da Autogestão

A Autogestão como Conteúdo do Novo Ciclo Revolucionário Texto Completo
Nildo Viana 97-99

Experiências Autogestionárias

A Revolução Francesa de Maio de 1968 Texto Completo
Alan Woods 100-120

Autogestão e Formação

Autodidatismo e Educação Escolar Texto Completo
Leon Rodriguez 121-127

Escritos Atuais do Passado

A Destruição como Método de Luta Texto Completo
Anton Pannekoek 128-130
Mercado e Crise Texto Completo
Karl Marx 131-133

Polêmicas e Outras Perspectivas

Notas Sobre Trotsky, Pannekoek e Bordiga Texto Completo
Jean Barrot 134-143

Resenhas

Keith Jenkins: Historiografia e Poder Texto Completo
Nildo Viana 144-155

sexta-feira, 18 de março de 2016

As Lições das Ruas - Nildo Viana




As Lições das Ruas

Nildo Viana


A rua é um lugar público e de mobilidade dos indivíduos. É também o lugar onde, geralmente, ocorrem manifestações. Ontem, domingo, elas estavam lotadas. O protesto era contra o governo de Dilma Roussef e a corrupção. Algumas pessoas aprendem com as experiências, outras não. As que aprendem com as experiências possuem uma tendência de não repetir os erros do passado. As que não aprendem, ao contrário, possuem a tendência contrária, ou seja, repetir os erros do passado. É por isso que poderíamos aprender com as manifestações de ontem, que deram algumas lições que deveríamos analisar e aprender com elas. No entanto, vamos analisar as lições das ruas apenas no que se refere ao público intelectualizado, especialmente o setor alinhado à ala governista do bloco dominante (petistas e aliados) e ao bloco progressista (expresso pelos partidos políticos de “esquerda” não aliados do governo, mas envolvidos ou iludidos com ele).

A primeira lição é não subestimar o descontentamento da população. Alguns só conseguem ver o descontentamento nas eleições. A crise financeira atinge toda a população e, sem dúvida, gera um alto grau de descontentamento, que se amplifica ainda mais com as denúncias de corrupção e com a percepção de um governo inoperante que não consegue esboçar nenhuma reação diante da mesma. O descontentamento pode ficar latente e pode não ser facilmente perceptível, mas tende a emergir quando ocorrem determinadas situações que permitem sua manifestação. O pensamento burguês – em sua variante conservadora ou progressista – tende a não perceber esse processo e ver no fato apenas o fato, se iludindo com o “empírico”, tornando-se incapaz de perceber as potencialidades e tendências.
A segunda lição é não reproduzir os esquemas de pensamento simplistas, tal como a oposição entre governistas e oposicionistas conservadores como a única coisa existente. Sem dúvida, a ala governista do bloco dominante (Governo Dilma, PT e aliados) tem interesse nessa polarização e dicotomização tanto quanto a ala oposicionista (partidos da oposição parlamentar, como PSDB, DEM e outros), pois assim podem inibir atos e falas de pessoas que não querem ser confundidos com um ou outro. Em termos populares (e popularizados pelos defensores de ambos os lados), a oposição simplista entre “petralhas” e “coxinhas” beneficia aos dois, gerando não só estereótipos negativos do lado adversário, mas inibindo um terceiro lado. A polarização entre os dois lados existe, mas não é absoluta e só serve para reproduzir a falta de opção, que pode gerar extremismos no interior da dicotomização ou explosões de violência por falta de opção.

A terceira lição, intimamente ligada com a segunda, é que os setores intelectualizados da população alinhados à ala governista (ou ao bloco progressista, que parece imobilizado pela polarização e por isso não se apresenta como oposição e assim deixa a população sem opção institucional, já que a dicotomização é entre duas alas do bloco dominante, pois o bloco revolucionário é anticapitalista e antiparlamentar), deveriam ao invés de menosprezar a população, desde o que chamam de “classe média” aos trabalhadores, que alguns chamaram de “inocentes úteis”.

A classe intelectual, devido sua profissão e ofício, deveria ser mais profunda em suas análises da realidade política nacional. Mais ainda os das ciências humanas, pois isto faria parte do seu “objeto de estudo” (claro que não para certas tendências, submetidas ao “fetichismo do corpo” ou “fetichismo da identidade”, entre outras aberrações intelectuais). Infelizmente, os meios intelectualizados acabam reproduzindo a superficialidade dos partidários da ala governista ou da ala oposicionista do bloco dominante. No primeiro caso, o que é mais comum nos meios acadêmicos na área de humanas, onde a análise deveria ser mais profunda, é desqualificar os indivíduos que participaram das manifestações e, mais ainda, os trabalhadores, que seriam “inocentes úteis”. O mesmo poderia ser dito desses meios intelectualizados (mais ainda os das universidades federais), pois ao reproduzirem o discurso governista, funcionam como “inocentes úteis”. Eles acabam reproduzindo, acriticamente, as correntes de opinião dos partidos mais influentes. Obviamente que valores e interesses são poderosos nesses casos, mas lembrando de que as greves nas universidades (em 2012 e 2015) tiveram como alvo o Governo Federal e sua política de precarização dessas instituições, isto é, no mínimo, incoerente. A única explicação para a reprodução do discurso governista e simplista, no caso dos meios acadêmicos, é a ilusão da polarização que impede a capacidade de reflexão crítica. O mais curioso é que justamente os meios intelectualizados, aqueles que deveriam ser mais ativos e apresentar projetos alternativos, ou se aliam ao discurso governista que está totalmente perdido e inoperante, ou ficam na defensiva com medo de ser rotulado como estando do lado oposto, o que reforça esse mesmo lado ao não se produzir uma alternativa. A maioria das pessoas que estavam nas manifestações não era favorável à ala oposicionista do bloco dominante, mas estavam perdidos por não ter alternativa (não querem nem a ala governista, nem a oposicionista). O bloco progressista (expresso pelo PSOL, PSTU, etc.) acaba se mostrando tão inoperante na ação política e sem iniciativa quanto do governo Dilma e junto com ele uma grande camada da classe intelectual que não é exatamente pró-governista, mas que teme ser confundida com a ala oposicionista do bloco dominante.

A quarta lição é entender que não é apenas a suposta “esquerda” (nome problemático e que pode se incluir coisas distintas e até antagônicas) que consegue mobilizar a população. Ela se mobiliza espontaneamente e pode ser mobilizada por outros setores da sociedade (o capital comunicacional é poderoso nesse aspecto). A grande questão é quando a suposta “esquerda” fica ausente da mobilização, deixando campo livre para as forças conservadoras, pois eles reforçam o que combatem, contraditoriamente. Um grande contingente de pessoas com baixa politização, com alta desilusão, buscando uma alternativa que não se apresenta, vai para as ruas e o bloco progressista fica alheio (“esperando a banda passar”). O elogio de certos setores e indivíduos durante as manifestações mostra justamente isso. A miséria do bloco progressista e a fraqueza do bloco revolucionário tornam possível um juiz federal ser a figura de maior destaque nas manifestações de 13 de março.

A quinta lição é que a insatisfação da população é mais ampla do que se imaginava. A política institucional (democracia representativa, governo, etc.) enfrentou sua primeira grande crise nas manifestações de 2013 e ela foi varrida para debaixo do tapete com o circo armado no ano seguinte da Copa do Mundo de futebol e eleições presidenciais (com o reforço da repressão policial pelo governo federal). Em 2015, ela esboçou um reaparecimento, mas a polarização entre ala governista e ala oposicionista do bloco dominante acabou enfraquecendo a sua tendência de ressurgimento. A luta pelo poder e a crise financeira, criando uma situação institucional insustentável, juntando com a incompetência generalizada dos partidos, escândalos de corrupção e falta de alternativas, já mostra um novo esboço de seu ressurgimento. A crise da política institucional aumentou com a visibilidade da corrupção (e a percepção de que ninguém escapa dela) e vem reforçar o alto grau de descontentamento que já existia. Assim, a direita e a esquerda capitalista estão imobilizadas e sem capacidade de forjar uma alternativa. A solução em curto prazo seria a deposição (via impeachment ou cassação) de Dilma Roussef e novas eleições, nas quais a classe dominante esperaria, desesperada, o surgimento de alguém que pudesse relegitimar a política institucional, um salvador da pátria, que assumisse a imagem de honesto e anticorrupção (trajeto que vem sendo trilhado por Ciro Gomes), tal como aconteceu com Fernando Collor de Melo, o que é suficiente para demonstrar o seu caráter ilusório.

Resta, então, o bloco revolucionário apresentar a única alternativa possível e viável e que realmente resolve o problema: a auto-organização e autoformação da população, especialmente as classes desprivilegiadas, as mais prejudicadas por este estado de coisas, visando constituir uma nova sociedade ao invés de remendar a atual. Para isso, precisa se fortalecer, aglutinar os descontentes sem rumo, se aproximar mais da população, não temer a confusão com a ala oposicionista do bloco dominante e romper definitivamente com qualquer ilusão com a ala governista e petista. É preciso deixar claro que tanto faz se são “petralhas” ou “coxinhas”, são farinha do mesmo saco, só a cor é diferente. A crise financeira e a crise político-institucional estão se arrastando e arrastando também as classes desprivilegiadas para uma situação de precariedade cada vez mais intensa. A insatisfação tende a crescer cada vez mais e as ruas tendem a ganhar novas cores e pessoas, o que vai marcar a retirada de outras. Por isso, mais do que nunca, a formação intelectual e política da população e sua auto-organização se torna a única forma de se ver uma luz no final do túnel.

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Versão em Áudio:
https://www.youtube.com/watch?v=SVUQ2Fm1Hgw
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Leia mais:

A Insustentabilidade do Governo Dilma:

A Luta de Classes no Brasil:

A Corrupção na Sociedade Brasileira:

Veja mais:

Dilma, um rock bolero:

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A moral dos corruptos


Fonte: http://ombudsmanfacebook.blogspot.com.br/

Nesse blog e na sua página no facebook há várias críticas aos clichês que são reproduzidos no facebook.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Críticas no Facebook através de um Ombudsman


O blog "Ombudsman do Facebook" apresenta um conjunto de análises, críticas, sátiras, sobre postagens no Facebook. Uma das seções é chamada "Tramoias no Facebook". Confira!




quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O ANTIFASCISMO COMO FORMA DE ADESÃO AO SISTEMA

O ANTIFASCISMO COMO FORMA DE ADESÃO AO SISTEMA


INTRODUÇÃO
Começar dizendo que tanto o fascismo quanto o antifascismo desempenharam historicamente um papel contra-revolucionário e que ambos constituíram e constituem uma forma de adesão ao capitalismo pode soar um tanto forte ou, quando menos, estranho. Defender tais argumentos ou, no mínimo, promover um debate sobre um tema tão em moda como o antifascismo é a intenção deste artigo.
REVISANDO E REENTENDENDO A HISTÓRIA
Há quem acredite que a história é o cadáver das sociedades e os historiadores, seus médicos legistas. Essa talvez seja a história com letras maiúsculas, a das faculdades e bibliotecas. A história que nós reivindicamos não é (ou não deveria ser) pretensiosamente objetiva, ela é (ou deveria ser) uma ferramenta crítica para entender o presente e transformá-lo. Durante diferentes momentos da história, as oligarquias utilizaram, nas situações de crise, movimentos folclóricos para manter seus privilégios, chegando mesmo a ceder o poder político a esses grupos de pressão. Este é o caso do fascismo, no período de entre guerras. (1)
Depois da primeira guerra mundial (1914-1918), o capitalismo já não tem um papel progressivo, não desenvolve as forças produtivas a não ser provocando crise e guerras. Neste contexto, surgirá o fascismo, mas também o antifascismo - ambos com o mesmo fim (ainda que possa parecer o contrário): salvaguardar os interesses do capital imperialista e esmagar o proletariado internacional. A guerra na Espanha (1936-1939) ilustra o papel contra-revolucionário do antifascismo com perfeição.
No dia 19 de julho de 1936, em diversas cidades espanholas, @s operári@s interrompem a ofensiva do golpe militar e começam uma dinâmica de expropriações de claro matiz revolucionário. Pouco durará o apogeu desse processo. A própria constituição do Comitê de Milícias Antifascistas (organismo interclassista que transfere o protagonismo das massas para a direção das organizações) evidencia o ataque da burguesia antifascista contra o proletariado. O conluio de Burgos e o governo republicano de Madri são as hastes de uma pinça que esmaga a classe operária. Depois disso, a Espanha não será mais o cenário de uma guerra revolucionária, nem de uma guerra civil, mas de uma guerra imperialista.
A burguesia (tanto nacional, quanto internacional), alinhada em ambos os lados, acerta suas contas às custas do proletariado. Desde a República, desenvolve-se uma política de guerra. A guerra como forma de reestruturação do capitalismo em crise e massacre da classe operária. A guerra na Espanha servirá de laboratório de provas, uma antecipação da imensa reestruturação capitalista que será a segunda guerra mundial.
Na Espanha, será imposto um modelo capitalista ditatorial (com a cumplicidade das democracias ocidentais e da URSS), enquanto que, depois da II Guerra Mundial, no resto do mundo se imporá um modelo capitalista democrático falsamente confrontado a um suposto bloco "socialista" antagônico. Tanto o modelo ditatorial quanto o democrático têm a mesma finalidade: reajustar e manter o sistema de exploração. A Espanha não entrará no conflito mundial, pois o reajuste (via triunfo ditatorial) se produziu com antecipação. Também é lógico, seguindo esta argumentação, que as democracias ocidentais que diziam lutar contra o fascismo não questionem o regime político (fascista) espanhol depois da guerra mundial.
Na guerra espanhola, a ideologia que se imporá, como suposta necessidade inelutável, será o antifascismo: o frentismo e a colaboração de classes, incluindo as cúpulas (não se pode chamá-los de outra maneira) da CNT-FAI e os oportunistas do POUM, desvencilhando-se, assim, de uma política realmente revolucionária e dobrando-se ao pragmatismo de uma política de guerra. A unidade antifascista nada mais é do que colaboracionismo de classes. O proletariado, ao invés de enfrentar seus inimigos (a burguesia fascista e antifascista), numa verdadeira guerra de classes, será usado como bucha de canhão pelas duas facções burguesas, com a cumplicidade de alguns de seus "dirigentes mais avançados".
Os acontecimentos de maio de 1937, em Barcelona, evidenciaram o fim de um desejo frustrado de comunismo (2), por parte do proletariado. Depois de maio, podemos dizer que a burguesia (de mãos dadas com seus aliados stalinistas) venceu uma revolução inacabada: os bancos não foram liquidados, não se aboliu o dinheiro e, principalmente, o Estado não foi destruído. Longe disso, alguns anarquistas chegaram a se converter em ministr@s.
O cadáver de Camilo Berneri será o estandarte de um dos crimes mais evidentes do antifascismo. Os operários espanhóis foram massacrados sob a bandeira do antifascismo e, definitivamente, lutaram (sem o desejarem) pelo triunfo do capitalismo. O proletariado internacional, sob a mesma bandeira antifascista, mal ensaiou os gestos de uma solidariedade mediatizada. Este só podia respaldar @s operári@s espanhóis mediante ações de classe dirigidas contra o aparato econômico e político do capital. Por isso, a ajuda efetiva à Espanha revolucionária residia unicamente na mudança radical, em escala mundial, das relações de classe. (3) A guerra espanhola exemplifica o nocivo papel do antifascismo. O fracasso da revolução deve ser buscado em múltiplas causas e não somente no antifascismo, mas esta não é a missão do presente artigo.
FASCISMO HOJE
Para determinar a função que o fascismo cumpre, deve-se determinar a realidade na qual ele se desenvolve, que certamente não é a mesma dos anos 30. A necessidade constante de desenvolvimento das forças produtivas do capitalismo levou-o a uma crise permanente. A crise do modelo keynesiano de desenvolvimento, desde princípios dos anos 70, conduz a uma paulatina superação desse modelo (do Estado de Bem-estar) e à gradual extensão de um novo (velho) modelo de liberalismo. Atualmente, ambos convivem e/ou concorrem na estrutura internacionalizada da economia de mercado. Mas essa instabilidade é suscetível de gerar graves disfuncionalidades.
A substituição de um modelo em decadência por outro em ascensão cria uma situação de precariedade e uma forte resistência em grandes camadas da sociedade. A isso se acrescenta a suposta imigração em massa como causa de disfuncionalidade adicional, fruto da internacionalização da economia e do incremento da exploração nos países da periferia, assim como a marginalização de grandes áreas geográficas do mercado-mundo.
Em resumo, eis o quadro onde se situa o fascismo. Hoje, sua missão é facilitar a transição de um modelo a outro, desenvolvendo políticas que tendem não a tomar o poder (não já...), mas a fortalecê-lo e totalizá-lo por meio de leis repressivas, anti-imigração etc., que impeçam ou neutralizem as possíveis disfuncionalidades - que se traduziriam em revoltas cíclicas ou movimentos de resistência (4) -, conservando e mantendo formas de governo formalmente democráticos mas acentuando o papel repressivo do Estado capitalista. Portanto, o fascismo trataria de, ao mesmo tempo, direitizar e desestabilizar a sociedade, para justificar as medidas de urgência por parte do Estado. Por outro lado, é restabelecida a dicotomia democracia ou fascismo (duas caras do mesmo capitalismo), reforçando a alternativa democrática diante da possibilidade fascista, saindo vitorioso, desse falso enfrentamento, o capital.
ANTIFASCISMO HOJE
Entendendo a função do fascismo na atual estrutura das relações sociais e econômicas, podemos entender a função do antifascismo. Hoje, o antifascismo adota (querendo ou não) diversas facetas e funções:
O antifascismo como atitude estética. O antifascismo é pouco menos que uma moda. A falta de análise, debate e crítica é patente. Não globaliza o problema, mas trata de separar seus efeitos mais palpáveis (violência de rua fascista), reproduzindo-os, em muitos casos (violência de rua antifascista). Ao redor do antifascismo é criada e recriada uma estética ganguista e de escasso conteúdo, regida por uma violência boçal e estéril. Proliferam grupos, coletivos, plataformas etc., que tratam de responder a um fenômeno sem analisar suas causas ou, ao menos, sem atacá-las. Atos de repúdio ou de puro caráter anedótico, como as manifestações de 20 de novembro, são moeda comum. Mais além, deve-se situar a patética imagem do mata-nazis como figura folclórica do movimento que, em muitos casos, copia atitudes e esquemas mentais de seus supostos adversários, numa clara tendência militarista que pode chegar a prevalecer e envolver todo o movimento.
O antifascismo como luta de distração. Fixar nossos esforços na luta antifascista a nível parcial nos distancia inevitavelmente da centralidade da luta de classes: criar consciência e auto-organização de classe. O antifascismo distrai a atenção de um problema concreto, fruto de uma situação global. Ainda mais quando cai em dinâmicas de repressão-ação (difíceis de evitar), que levam o movimento a centrar seu trabalho na resposta a agressões de grupos fascistas ou do aparato repressivo do Estado, quando @s antifascistas sofrem represálias.
O antifascismo como colaboração de classe. O lema "todos contra o fascismo" pode exemplificar uma tendência para a colaboração de classes. A aliança, em plataformas etc., com forças contra-revolucionárias da esquerda capitalista é patente em muitos casos. Um lema tão geral pode ser tomado de muitos ângulos, desde a esquerda colaboracionista até a direita liberal, passando pelos grupúsculos oportunistas (os restos do leninismo, que combatem o fascismo aqui e apóiam alianças entre fascistas e "comunistas" na antiga URSS). A história volta a se repetir, com um cenário totalmente distinto, ao se desenvolverem políticas frentistas que implicam um reforço do modelo capitalista sob formas democráticas parlamentares. Volta-se a colaborar com os inimigos de classe, socavando os próprios interesses em nome de uma defesa dos inimigos aparentemente mais diretos e atrozes: os fascistas. (5) O resultado é que, no lugar de fazer cotidianamente a revolução, nos aliamos aos inimigos dela.
O antifascismo como forma de reforçar o Estado. Os grupos antifascistas reclamam medidas estatais e legais que reprimam o fascismo (6): leis contra grupos nazis, medidas policiais, altas penas de prisão etc. A aplicação de tais medidas dificilmente nos favoreceria, muito pelo contrário. Com isso, reforça-se o papel do Estado como repressor e seu poder é fortalecido. Não deixa de surpreender e alarmar que, de nossas fileiras, sejam dadas armas para nosso mais evidente inimigo: o Estado. Assim como quem considera que as leis do Estado possam ser nossa salvaguarda contra aqueles que são nem mais nem menos que seus cúmplices: os fascistas.
PALAVRAS FINAIS
Não se pretende fazer, a partir deste artigo, uma crítica sanguinária e sem atenuantes a todos os grupos antifascistas. Não é possível pensar que esse movimento seja homogêneo e igualmente criticável, mas sim que é necessário começar a criticar, analisar e, definitivamente, pensar a realidade. Globalizar as situações para intervir na realidade e transformá-la é tarefa de tod@ revolucionari@. Do contrário podemos cair (mesmo que seja sem o desejar) no papel de cúmplices e companheir@s de viagem do próprio sistema que nos oprime. Tampouco deseja este artigo dizer que não devemos enfrentar o fascismo, mas sim esclarecer que essa luta forma parte (e não a fundamental) do enfrentamento cotidiano contra o Capital-Estado e não uma forma de justificar a existência destes.
Saúde e Anarquia
El último de Filipinas Alacant. Dezembro de 1996.

NOTAS:
(1) São evidentes as semelhanças do nazifascismo dos anos 30 com a tomada do poder por Luis Bonaparte "o 18 Brumário". Assim, também, a organização política do nazifascismo com a "sociedade do 10 de Setembro", que apoiava Bonaparte e a função política dada a esta no campo dos interesses da burguesia.
(2) Entendendo comunismo não pelas estratégias leninistas, mas sim pela sua forma integral. O que nós anarquistas chamamos de comunismo libertário.
(3) Só alguns poucos (entre eles, Durruti e seu grupo "Nosotros") propuseram de forma teórica estender a revolução a nível internacional e criar um "efeito dominó" .
(4) Revoltas como a de Caracas, o POLL TAX ou Los Angeles. Nelas se evidencia uma tendência mais profunda de mal-estar geral que vai além dos fatos concretos que serviram de detonador.
(5) Este tema é produzido no caso alemão (e não é o único). Os grupos autônomos chegaram a buscar o apoio do partido social-democrata, pregando uma espécie de unidade antifascista e interclassista.
(6) Essas medidas foram reivindicadas recentemente, na primeira página do boletim "No pasarán" do coletivo "Al enemigo ni agua" de Barna. Ou no caso Guillén Agulló, em que diversos grupos reclamam altas penas de prisão e cumprimento integral das condenações. Evidentemente, há quem discorde, como a Assembléia Antifascista de Valencia.

EKINTZA ZUZENA # 23

Tradução Biblioteca Virtual Revolucionária.

domingo, 6 de setembro de 2015

ANT: auto-organização dos trabalhadores revolucionários na luta contra o capital

A ANT - Associação Nacional dos Trabalhadores, de tendência autogestionária, acaba de ser fundada no Brasil. A ANT se coloca como não sendo um sindicato, partido ou organização burocrática, não sendo uma entidade supostamente "representativa" dos trabalhadores. Ela se coloca como sendo a auto-organização dos trabalhadores revolucionários e autogestionários que busca expressar os interesses do proletariado revolucionário e avançar na luta pela hegemonia proletária.

Veja mais em: http://ant-luta.blogspot.com.br/