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domingo, 28 de dezembro de 2025

Pesquisando "A minoria elege Dilma", de Nildo Viana.

 


Pesquisando "A minoria elege Dilma", de Nildo Viana.


As tecnointeligências ("inteligências artificiais") às vezes conseguem certa competência informativa. Ao pesquisar "a minoria elege dilma nildo viana" obtivemos a resposta abaixo da tecnointeligência do Google:


"A minoria elege Dilma" (The minority elects Dilma) is the title of a 2010 article by the Brazilian sociologist Nildo Viana, in which he argues that Dilma Rousseff was elected by a minority of the total potential electorate, and thus her government lacked full legitimacy. 
Key points of Viana's argument include:
  • Minority Rule: Viana contends that the high rates of abstention, null votes, and blank votes in the election meant that Rousseff did not secure a majority of the total number of eligible voters.
  • Critique of Formal Democracy: This analysis is part of Viana's broader critique of formal democracy and the electoral system, which he views as mechanisms that do not truly represent the will of the majority of the population.
  • Illegitimacy: He concludes that this results in continuous illegitimacy for the elected government, as it operates based on the support of a segment of the population, not the majority. 
Viana is a professor at the Federal University of Goiás (UFG) and is known for his Marxist analysis of society, politics, and social movements in Brazil. His work often focuses on class struggle, the role of the state, and the limitations of traditional political participation. The original article can be found on his blog, Informe e Crítica. 
Usamos o tradutor para o idioma português e a versão portuguesa é essa:
"A minoria elege Dilma" é o título de um artigo de 2010 do sociólogo brasileiro Nildo Viana, no qual ele argumenta que Dilma Rousseff foi eleita por uma minoria do eleitorado potencial total e, portanto, seu governo carecia de plena legitimidade. 
Os principais pontos da argumentação de Viana incluem:
  • Regra da Minoria: Viana argumenta que as altas taxas de abstenção, votos nulos e votos em branco na eleição significaram que Rousseff não obteve a maioria do número total de eleitores elegíveis.
  • Crítica à democracia formal: Esta análise faz parte da crítica mais ampla de Viana à democracia formal e ao sistema eleitoral, que ele considera mecanismos que não representam verdadeiramente a vontade da maioria da população.
  • Ilegitimidade: Ele conclui que isso resulta em ilegitimidade contínua para o governo eleito, uma vez que este opera com base no apoio de um segmento da população, e não da maioria. 
Viana é professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e é conhecido por sua análise marxista da sociedade, da política e dos movimentos sociais no Brasil. Seu trabalho frequentemente se concentra na luta de classes, no papel do Estado e nas limitações da participação política tradicional. O artigo original pode ser encontrado em seu blog, Informe e Crítica. 
A conclusão é de que houve um relativo acerto, embora a questão fundamental não foi abordada e um outro problema é que o blog em que o texto se encontra não teve link direcionado (e sim outros links para textos do autor e outros sem nenhuma relação com a sua abordagem).
Isso mostra que tanto os sites de busca quando as tecnointeligências direcionam o públicopara aquilo que é do interesse dos detentores do poder e por isso a luta pela transformação socialé bem mais difícil do que se pensa.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

AS CONTRADIÇÕES DE HANNAH ARENDT - RUSSEL JACOBY

 


AS CONTRADIÇÕES DE HANNAH ARENDT

 

Russel Jacoby*

 

Uma rua leva seu nome em sua homenagem. Conferências consecutivas a celebraram. Novos livros a defendem vigorosamente. Hannah Arendt, que em outubro teria completado 100 anos, pertenceu ao restrito mundo dos heróis filosóficos. E toda essa atenção que ela desperta não foi granjeada apenas depois da sua morte, em 1975. Em vida, recebeu graus honoríficos de instituições como Princeton, Smith, e outras faculdades e universidades. A Dinamarca concedeu–lhe o prêmio Sonning pelo “admirável trabalho que beneficiou a cultura europeia”, também recebido por Albert Schweitzer e Winston Churchill. Em suas conferências, os estudantes se aglomeravam nos corredores e às portas de entrada da sala.

 

Arendt se ajustou ao papel de herói filosófico. Era uma refugiada judia alemã submersa na educação clássica e conhecedora do mundo. Com suas frequentes referências a termos gregos ou latinos, seus escritos irradiaram reflexão. Ela não temeu abordar grandes temas – a justiça, o mal, o totalitarismo – ou se envolver em questões políticas de atualidade, como a Guerra do Vietnã, direitos civis, o julgamento de Adolf Eichmann. Era ao mesmo tempo metafísica e realista, profunda e sexy. Alfred Kazin, crítico de Nova York, lembra de Hannah como uma mulher de grande charme e vivacidade – mesmo uma femme fatale.

 

Porém, se sua estrela brilha tão intensamente é porque o firmamento intelectual americano está muito obscurecido. Afinal, quem ou onde estão os outros filósofos políticos? O último grande filósofo político americano, John Dewey, morreu em 1952. Desde então a filosofia americana, com exceção, em parte, de Richard Rorty, desvaneceu nos temas técnicos; no campo da filosofia política, a maior das suas figuras, John Rawls, continua abstrato e com visão estreita. Seu trabalho pode ter contribuído para acelerar os batimentos cardíacos atenuados dos filósofos acadêmicos, mas não comoveu o restante de nós.

 

Aqueles pensadores que pertenceram à geração europeia de Hannah Arendt não conseguiram atrair tanto quanto ela. Podemos citar dois exemplos claros: Jean–Paul Sartre, que, por causa do seu extremismo perene e da sua política imprevisível, hoje desperta cada vez menos entusiasmo; e Isaiah Berlin que, por causa da extrema prudência e grande moderação, inspira muito pouco. Ao contrário de Hannah Arendt, Berlin evitou tanto o compromisso político como escrever livros sobre grandes temas. (Na verdade ele nunca escreveu realmente um livro.) Enquanto Hannah Arendt escreveu obras como A Condição Humana, que teve como subtítulo Um Estudo dos Dilemas Cruciais Enfrentados pelo Homem Moderno, Berlin escreveu ensaios como Alleged Relativism in Eighteen – Century European Thought e Two Concepts of Liberty. Enquanto Arendt assumiu posição, Berlin vacilou.

 

Não é unicamente a paisagem sombria geral que faz brilhar a estrela de Arendt. Seu trabalho consegue cintilar, especialmente os seus ensaios. No entanto, com a grande exceção de Eichmann em Jerusalém, seus maiores livros sofrem de uma grande nebulosidade. Ironicamente, quanto mais filosófica Arendt procurou ser, mais obscura se tornou. Mesmo depois das mais atentas leituras, é difícil saber o que ela está tentando dizer. Isso vale tanto para A Condição Humana como As Origens do Totalitarismo, livro que concentrou pela primeira vez as atenções sobre ela. Mas Hannah Arendt se beneficia da crença generalizada de que obscuridade filosófica sinaliza profundidade filosófica.

 

Seus devotos às vezes reconhecem que As Origens do Totalitarismo é um livro desorganizado e malsucedido. Ela pretendia apresentar o nazismo e o stalinismo como representantes gêmeos do totalitarismo, mas deixou de fora o stalinismo até a conclusão. Algumas sessões do livro, sobre imperialismo e racismo, coerentes e intuitivas, carecem de uma relação com o totalitarismo stalinista, que não derivou nem de um nem de outro.

 

Para defender seu argumento, ela juntou nazismo e stalinismo com um palavrório filosófico sobre ideologia e solidão. De certa forma a “solidão” das massas estimula o totalitarismo. “Embora seja verdade que as massas são obcecadas por um desejo de fugir da realidade porque, nesse desabrigo essencial não conseguem mais suportar os aspectos incompreensíveis, acidentais dessa realidade, também é verdade que o anseio pela ficção tem alguma relação com essas capacidades da mente humana, cuja consistência estrutural é superior ao mero acontecimento”. Hum!

 

Arendt conseguiu a sua obscuridade honestamente. Foi estudante de fato e amante de Martin Heidegger, filósofo existencialista alemão que, como sofista crítico, transformou o fato da morte em um segredo profissional dos filósofos. Embora sua ligação com Heidegger tenha ocasionado muita fofoca de alto nível – na universidade de hoje o caso do Herr Doktor Heidegger com uma formidável estudante de 18 anos seria ainda mais atroz do que as simpatias que ele nutriu pelo nazismo – o que estão em questão são as lealdades intelectuais dela. Arendt nunca rompeu conceitualmente com Heidegger e até pretendia dedicar A Condição Humana a ele. Não o fez, explicou numa carta dirigida a Heidegger, porque as coisas não “andaram muito bem” entre eles. Porém, ela quis que ele soubesse que o livro “se devia inteiro praticamente a ele, em todos os aspectos”.

 

De fato, o idioma “heideggeriano” semirreligioso sobre angústia, solidão e desenraizamento influenciou o trabalho dela. As massas que apoiaram Hitler (e Stalin) não sofreram por falta de emprego ou de fome, mas de “solidão”. O totalitarismo “se baseia na solidão, na experiência de não se pertencer absolutamente ao mundo, o que é uma das experiências mais radicais e desesperadas do homem”.

 

Certamente Eichmann em Jerusalém, sua obra mais famosa e mais controvertida, é bem diferente. Um trabalho lúcido e contundente. Vale observar que foi o único de seus livros escrito por encomenda para a revista The New Yorker, aparecendo pela primeira vez em 1963 como uma série de ensaios separados sob a rubrica de Repórter à Solta. Talvez o fato de escrever para o lendário editor da The New Yorker, William Shawn, famoso pelos cortes implacáveis do texto, levaram Hannah Arendt a engavetar seus escritos filosóficos grandiloquentes.

 

O que também é espantoso no caso de Eichmann em Jerusalém, e a frase que lançou a obra, “a banalidade do mal”, é até que ponto Arendt mudou completamente suas idéias desde seu livro As Origens do Totalitarismo. Nesse livro ela concluía que o totalitarismo oferecera ao mundo algo inteiramente novo.

 

O totalitarismo procura “a transformação da própria natureza humana”. Foi um “mal radical”, um fenômeno fora de “toda a nossa tradição filosófica... Nós na verdade não temos nada a que recorrer para compreendermos um fenômeno que... destrói todos os padrões que conhecemos”.

 

No entanto, quando, dez anos depois, ela cobriu o julgamento de Eichmann em Israel, chegou a uma conclusão oposta. A natureza humana não fora transformada; o mal totalitário não era radicalmente novo, mas extremamente prosaico. “Não se pode extrair qualquer profundidade diabólica ou demoníaca de Eichmann”, ela escreveu. Como sugeriu o corrosivo filósofo e crítico Ernest Gellner, “Depois dela ter apresentado um tipo de exposição de totalitarismo que era metade o Trial (O Processo) de Kafka, e metade Wagner, a mediocridade de Eichmann veio impressioná–la e confundi–la.”

 

Assim, os dois livros mais famosos de Arendt apresentam argumentos opostos, já que ela nunca os conciliou. Seus subordinados tergiversam sobre as contradições, ou tentam afetadamente harmonizar a noção do mal banal e radical. Outros são menos flexíveis. Gershom Scholem, estudioso do misticismo judaico, protestou numa carta dirigida a ela, dizendo que seu livro totalitário fornecera uma tese “contraditória” para sua reportagem sobre Eichmann. “Naquela época, aparentemente você ainda não tinha feito a sua descoberta, de que o mal é algo banal.” Arendt concordou. “Você está certo. Mudei de idéia e há muito tempo não falo de mal radical.” A honestidade dela é restauradora mas arruína seu estudo Origins. Significa que seu mais importante livro – o relatório sobre Eichmann – continua algo singular dentro da sua obra; não é apenas seu livro menos filosófico, mas sua noção do mal debilita a teoria do seu livro anterior.

 

Seus defensores não são tão francos como ela própria é, e tentam dissimular essa fissura. “Contra Scholem, que afirma que o mal radical e a banalidade do mal são coisas contraditórias, quero defender a compatibilidade dessas concepções do mal”, escreveu o filósofo Richard J. Bernstein. Não se deve esquecer que, neste ponto, Arendt concordou com Scholem. Outro estudioso sugere que Arendt sofreu com o “mal–entendido” da sua própria obra e a de Kant, onde o termo “mal radical” apareceu pela primeira vez. Um terceiro defensor resolve a contradição usando a frase “A banalidade do mal radical”. Ele adota o idioma usado por Arendt, e nos informa que “Arendt sugeriu que a banalidade do mal radical reside no repúdio da nossa própria nulidade, nossa própria solidão e impossibilidade de ser”.

 

O sucesso de Arendt, no fim das contas, repousa em Eichmann em Jerusalém, como também em alguns ensaios meticulosos e esboços biográficos sérios. Algumas vezes ela ficou lamentavelmente fora de foco, como no caso de suas reflexões sobre fatos ocorridos em Little Rock, Arkansas, onde viu, de forma vaga, uma “força de mobilização popular” (e a violação dos “direitos de privacidade”) quando o presidente Eisenhower usou tropas federais para obrigar a integração escolar. Por outro lado, seus ensaios sobre sionismo e Israel comportam uma releitura. Hannah Arendt foi uma crítica vigorosa do militarismo sionista. Em 1948, advertiu que o sionismo intransigente poderia vencer a próxima guerra, mas questionou a que isso levaria. “Os judeus vitoriosos viverão cercados por uma população árabe totalmente hostil, isolados dentro de fronteiras sempre ameaçadas, absorvidos com sua autodefesa”, escreveu em The Jew as Pariah (O judeu como pária).

 

Essas observações estão entre as que mais se destacaram no seu trabalho. Diz muito sobre a cultura e a erudição de Arendt o fato de que, num recente livro do seu mais importante defensor e biógrafo, esses ensaios passaram despercebidos. E no livro Why Arendt Matters, de Elizabeth Young–Bruehl, que procura mostrar sua importância para a política contemporânea, os corajosos ensaios de Arendt sobre Israel e o sionismo não mereceram atenção, muito menos uma discussão.

 

Arendt se identificava como uma escritora free lance e às vezes contestava o fato de ser chamada de filósofa. De fato, ela estaria melhor situada fora dos círculos intelectuais de Nova York, esses escritores e críticos de meados do século 20 difíceis de categorizar.

 

Foi amiga de Mary McCarthy, parceira de Philip Rahv e Edmund Wilson, e contribuiu para revistas como Commentary, Partisan Review, New York Review of Books, Dissent e, naturalmente, a The New Yorker, periódicos dos intelectuais de Nova York. Um pouco do vigor polêmico e coragem do grupo influenciou seus melhores trabalhos, seus ensaios e Eichmann em Jerusalém. E são mais do que suficientes para celebrar Arendt. E são também seus trabalhos menos filosóficos.

 

Tirando esses livros, sua obra consiste de tomos confusos influenciados pelo jargão existencialista. Ela é celebrizada hoje porque todos as nossas celebridades estão cerceadas e neutralizadas. Certa vez, Isaiah Berlin comentou – ele era bastante cauteloso para fazer comentários impressos – que Arendt foi a mais superestimada filósofa do século. Berlin devia saber. Mesmo se compartilha a honra, poderia estar parcialmente correto.



* Russell Jacoby (nascido em 23 de abril de 1945) é um acadêmico americano e professor de história na Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), autor de diversos livros, entre os quais “Os Últimos Intelectuais”; “O Fim da Utopia”; “Amnésia Social”.

 

Tradução de Terezinha Martino.

Revisão do blog.

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

CURSO DE EXTENSÃO: ANÁLISE DO DISCURSO EM PERSPECTIVA DIALÉTICA

 CURSO DE EXTENSÃO: ANÁLISE DO DISCURSO EM PERSPECTIVA DIALÉTICA.



Promovido pelo GPDS e Ragnatela, o curso de extensão "Análise do discurso em perspectiva dialética" oferece uma introdução geral à análise do discurso e à dialética, bem como analisa as contribuições do método dialético para o processo analítico dos discursos.

Os participantes também poderão publicar artigos em coletânea sobre essa temática se optar por isso na inscrição.

Informações e inscrições em:



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Carta aos organizadores do comício de Londres em memória da Comuna de Paris - Piotr Kropotkin

Abaixo carta de Kropotkin aos organizadores de comício sobre a Comuna de Paris, que este ano faz 150 anos. Esse evento histórico extraordinário será tema de curso de extensão e mesa redonda promovido pelo GPDS (UFG) e Edições Enfrentamento (que está lançando uma série de livros sobre a Comuna de Paris). Veja o curso e mesa nesse link: https://www.even3.com.br/comunadeparis/ 

 

e a coleção de livros nesse link:

 

 https://www.edicoesenfrentamento.net/s%C3%A9rie-comuna-de-paris


Carta aos organizadores do comício de Londres em memória da Comuna de Paris

 Piotr Kropotkin


Caros camaradas!

Lamento muito que minha saúde não me permita passar esta noite com você.

É bom despertar energia em si mesmo, inspirado pela memória da gloriosa batalha em que os trabalhadores parisienses lutaram há 32 anos contra as forças unidas do capitalismo internacional!

Ainda mais agora, quando entramos em um período de despertar geral dos trabalhadores, quando a ideia da solidariedade internacional dos trabalhadores de todos os povos e sindicatos foi proclamada tão ruidosamente e brilhantemente justificada pela vida, como se manifestou especialmente nos últimos doze meses.

O espírito da velha Associação Internacional dos Trabalhadores, que criou a Comuna de Paris, foi revivido. Ela se manifestou em greves gerais em Barcelona, ​​em várias pequenas cidades da Andaluzia, na Bélgica, em Genebra, na Holanda.

O mesmo espírito e o mesmo entusiasmo inspiraram os trabalhadores oprimidos - poloneses, judeus e russos - na Polônia, Rússia Ocidental, Rostov.

Ele apoiou a Federação dos Trabalhadores Portuários quando esta ameaçou o governo holandês com um boicote à indústria holandesa se não parasse com as medidas repressivas contra as greves; ele também inspirou a grande greve dos mineiros americana, que mostrou todo o poder do Trabalhismo unido e toda a decadência do estado capitalista.

Ele apóia e inspira o amplo, grande e poderoso movimento na França que está preparando a Greve Geral. A possibilidade deste último foi comprovada. Seu significado é óbvio. É por isso que a burguesia está tão admirada com isso ...

Uma greve geral ainda não é uma revolução social. Mas será um ato de união dos trabalhadores, um ato que dividirá toda a sociedade em dois campos: o campo dos trabalhadores e o dos que nada fazem. Colocará diante da humanidade o grande problema do trabalho e da exploração, em toda a sua nudez, sem nenhum embelezamento político.

32 anos deixaram sua marca, principalmente para os países latinos. Em toda parte o movimento comunista está despertando.

“Trabalhe por si mesmo e deixe que os outros o sigam”, “Não ordene, mas ensine pelo exemplo”, o proletário moderno entendeu este comando da Comuna. E começa a perceber o segundo: "O sistema comunista sem abrandar - é o que é necessário para a vida e o trabalho!"

Vamos trabalhar muito para isso e acreditar que ambos os princípios serão em breve aplicados na prática!

 


GRUPO DE ANARQUISTAS DO RUSSO. Nº 1
, 18 de março de 1903

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Documentário "Onde Darwin Errou?", de Nildo Viana.

 Assista abaixo o documentário "Onde Darwin Errou?", de Nildo Viana:



Documentário "Onde Darwin Errou?", de Nildo Viana. Ficha Técnica: Título: Onde Darwin Errou? Direção: Nildo Viana Duração: 1:15:08 Ano produção: 2020 Estreia: 27 de dezembro de 2020 Produtora: Edições Redelp/Nildo Viana Gênero: Documentário País de Origem: Brasil Sinopse: Darwin é considerado o fundador da “teoria da evolução”, e é tido por muitos como um cientista que mudou o mundo. Para alguns, ele é praticamente “inquestionável” e é idolatrado por muitos. No entanto, a verdadeira história de Darwin e do darwinismo foi ocultada, com raras exceções. O documentário mostra Darwin como ele realmente é, bem como os problemas contidos em suas ideias, perpassadas por racismo, sexismo e etnismo, e intimamente vinculadas aos interesses da classe capitalista. Da mesma forma, mostra os limites e problemas do darwinismo e sua herança posterior. Em síntese, o documentário aponta para uma síntese de diversas críticas ao darwinismo e diversos outros elementos relacionados. Uma produção de Nildo Viana (http://nildoviana.com) e Edições Redelp (http://edicoesredelp.net). Visite o canal da Edições Redelp: https://www.youtube.com/channel/UCW4NQqy73G3-QfNwu4NwpMg 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

VÍTIMAS DA FOME E A CONTINUIDADE DO CAPITALISMO

VÍTIMAS DA FOME E A CONTINUIDADE DO CAPITALISMO



O problema fundamental de nossa sociedade é a exploração de classe. A produção mercantil capitalista não significa apenas exploração do proletariado, mas fome, desemprego e miséria para o lumpemproletariado. 



Esquecidas: fome mata 10 mil crianças todo mês no mundo

Estimativas apontam que 128 mil crianças no mundo morrerão de fome nos primeiros 12 meses de pandemia. Crise causada pelo coronavírus tem agravado a situação da fome em várias partes do planeta

Foto: Wikimedia Commons

O Burkina Faso é um país africano limitado a oeste e a norte pelo Mali. O PIB do país é um dos piores do mundo em valores per capita: apenas US$ 1.500 dólares. A agricultura representa 32% do seu Produto Interno Bruto e é a ocupação de cerca de 80% da população economicamente ativa.

Com a pandemia de Covid-19 e a longa espera pela colheita, a fome no país está ainda mais feroz do que a maioria das pessoas já conheceu.

Essa fome já está perseguindo Haboue Solange Boue, uma criança que perdeu metade de seu antigo peso corporal de 2,5 quilos no mês passado. Com os mercados fechados devido às restrições do coronavírus, sua família vendeu menos vegetais. Sua mãe está desnutrida demais para amamentá-la.

“Meu filho”, sussurra Danssanin Lanizou, sufocando as lágrimas enquanto desembrulhava um cobertor para revelar as costelas salientes de seu bebê. O bebê choraminga silenciosamente.

A fome ligada ao vírus está causando a morte de mais 10 mil crianças por mês, em todo o mundo, durante o primeiro ano da pandemia, de acordo com um apelo urgente das Nações Unidas compartilhado com a The Associated Press antes de sua publicação no jornal médico Lancet.

Mais de 550 mil crianças adicionais a cada mês estão sendo atingidas por uma desnutrição que se manifesta em membros magros e barrigas distendidas. Em um ano, isso representa um aumento de 6,7 milhões em relação ao total de 47 milhões do ano passado. O desgaste e o retardo de crescimento podem causar danos físicos e mentais permanentes às crianças, transformando tragédias individuais em uma catástrofe geracional.

Em Burkina Faso, por exemplo, uma em cada cinco crianças sofre de desnutrição crônica. Os preços dos alimentos dispararam e 12 milhões dos 20 milhões de residentes do país não têm o suficiente para comer.

Da América Latina ao Sul da Ásia e à África Subsaariana, mais famílias do que nunca estão diante de um futuro sem comida suficiente. A análise revelou que cerca de 128 mil crianças morrerão nos primeiros 12 meses do vírus.

Fome na América do Sul

Crianças de países da América do Sul também sofrem com a fome. No Brasil, metade das crianças de até 5 anos moram em lares com restrição de comida. E 10,3 milhões de brasileiros passam fome.

“Os pais das crianças estão desempregados”, disse Annelise Mirabal, que trabalha com uma fundação que ajuda crianças desnutridas em Maracaibo, a cidade da Venezuela até agora mais atingida pela pandemia. “Como eles vão alimentar seus filhos?”

Muitos são filhos de imigrantes que estão fazendo a viagem de volta à Venezuela vindos do Peru, Equador ou Colômbia, onde suas famílias ficaram desempregadas e impossibilitadas de comprar alimentos durante a pandemia. Outros são filhos de migrantes que ainda estão no exterior e não puderam enviar dinheiro para comprar mais comida.

“Todos os dias recebemos uma criança desnutrida”, disse o Dr. Francisco Nieto, que trabalha em um hospital na fronteira com o estado de Táchira. Ele acrescentou que eles se parecem “com crianças que não vemos há muito tempo na Venezuela”, aludindo àqueles que passam fome em partes da África.

Fome no Afeganistão e Iêmen

O Afeganistão está agora em uma zona vermelha de fome, com desnutrição infantil severa passando de 690 mil em janeiro para 780 mil – um aumento de 13%, de acordo com o UNICEF. Os preços dos alimentos subiram mais de 15% e um estudo recente da Universidade Johns Hopkins indicou que mais 13 mil afegãos com menos de 5 anos podem morrer.

Quatro em cada dez crianças afegãs já sofrem de nanismo. O nanismo acontece quando as famílias vivem com uma dieta barata de grãos ou batatas, com cadeias de suprimentos em desordem e dinheiro escasso.

No Iêmen, as restrições ao movimento também bloquearam a distribuição de ajuda, juntamente com a paralisação de salários e aumentos de preços. O país mais pobre do mundo árabe está sofrendo ainda mais com uma queda nas remessas e uma grande queda no financiamento de agências humanitárias.

O Iêmen está agora à beira da fome, de acordo com a Rede de Sistemas de Alerta Antecipado da Fome, que usa pesquisas, dados de satélite e mapeamento do clima para localizar os locais mais necessitados. Um relatório do UNICEF previa que o número de crianças desnutridas poderia chegar a 2,4 milhões até o final do ano, um aumento de 20%.

Dias depois de o bebê de 7 meses Issa Ibrahim deixar um centro médico no empobrecido distrito de Hajjah ao norte, ele sucumbiu a uma desnutrição aguda grave. Sua mãe encontrou o corpo em 7 de julho, sem vida e com frio.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

"Linchamento social", Autoctonismo e Mercado de ideias

 

O CANCELAMENTO DA ANTROPÓLOGA BRANCA E A PAUTA IDENTITÁRIA

 

Ataques a Lilia Schwarcz refletem disputa pelo 'mercado epistêmico' da questão racial, diz professor

 

Wilson Gomes

 

Professor titular da Faculdade de Comunicação da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital, é autor de "Transformações da Política na Era da Comunicação de Massa" (Paulus), entre outros livros.

 

[RESUMO] Autor discute os termos do cancelamento da antropóloga Lilia Schwarcz nas redes sociais na última semana, depois da publicação na Folha de artigo crítico ao novo álbum visual de Beyoncé. Em sua avaliação, o episódio revela disputas acirradas entre militantes identitários que, por meio de práticas autoritárias e ofensivas, tentam se firmar como os únicos debatedores legítimos de temas raciais.

 

Aconteceu nestes dias o cancelamento ou linchamento digital nº 4.984.959.569, realizado por defensores de pautas identitárias, desta vez identitários negros. Cancelamentos e linchamentos são hoje das ações mais banais das estratégias dos identitários, sejam esses de esquerda ou de direita, principalmente depois que grande parte das nossas vidas passou a transcorrer em direta relação com ambientes digitais.

 

Nesses ambientes é que se consegue facilmente mobilizar enorme montante de pessoas, insuflar em grandes massas um estado de indignação moral ou furor ético e, enfim, colocar alvos em pessoas, instituições e atos na direção dos quais toda a fúria deve ser dirigida.

 

Para o linchamento e o cancelamento digitais se requer, antes de tudo, uma multidão unida por algum sentido de pertencimento recíproco, motivado pela percepção de que todos estão identificados entre si por algum aspecto essencial da sua própria persona social. Um recorte comum, por meio do qual são separados e antagonizados, de um lado, o “nós”, de dentro do círculo, e, de outro, “eles”, os de fora.

 

Em geral, o ponto de corte formará grupos de referências ou comunidades baseadas em etnias, cor, gênero, orientação sexual e origem geográfica ou até mesmo em posições políticas. Desde que estas últimas possam naturalmente ser vistas como alguma coisa que constitui essencialmente um conjunto de pessoas, como é o caso da nova extrema direita.

Em segundo lugar, há que haver uma motivação moral. Linchar ou cancelar não é como inventar fake news ou disseminar teoria da conspiração, seus parentes mais próximos na família dos comportamentos antidemocráticos digitais, que podem ser realizados amoralmente, isto é, sem que valores estejam em questão.

 

O grupo que faz um linchamento digital, por sua vez, parte da premissa de que, pelo menos naquele ato especificamente, é moralmente superior a quem está sendo justiçado. A comunidade de linchadores se sente justificada porque um dos seus patrulheiros, em seu turno de guarda das fronteiras da identidade, constatou um erro, um pecado, uma violação de alguma das suas crenças por parte de algo ou alguém.

 

Cabe ao patrulheiro tocar a corneta e chamar às armas os vigilantes da identidade para que a punição seja aplicada e o valor pecaminosamente violado seja restaurado e reafirmado.

 

O cancelamento pode se seguir a linchamentos, só que o primeiro é reservado a poucos. Todo mundo pode ser um dia linchado digitalmente, mas só pessoas com visibilidade e importância social e, o que é mais importante, que pareciam vinculadas a ou simpatizantes da pauta identitária, é que podem ser canceladas. O cancelamento envolve ruptura e luto, uma vez que o cancelado tem que ter representado alguma coisa para quem o cancela, mas o sentido de ultraje moral e a fúria linchadora é mesma.

 

 

Desgostoso, li nesses dias os textos do cancelamento/linchamento de Lilia Schwarcz pelos identitários negros. Os termos dos decretos de cancelamento são repugnantes para o meu paladar liberal-democrático, uma vez que, na grande maioria dos casos, são autoritários, ofensivos, humilhantes e, vejam só, frequentemente racistas.

 

Se, pelo menos, ainda fosse justa a indignação, por ter a Lilia publicado um texto racista ou ofensivo, ainda assim ficaria envergonhado pelos termos do cancelamento, mas compreenderia. O pior de tudo é que não, não há nada de errado com o artigo usado como desculpa para linchar. Divergir do que os outros dizem é normal e esperável, ainda mais quando se trata de artistas endeusados por fãs e pessoas identificadas com eles, mas o que veio depois disso foi violência.

 

Li ou vi uma centena de vídeos, posts e comentários para entender os “termos do cancelamento”, e vamos ser francos de uma vez por todas: não se trata aqui meramente de uma luta por superioridade moral, como costumava ser em casos como esse, mas simplesmente de uma disputa pelo "mercado epistêmico" dos temas da questão racial.

Uma luta concorrencial entre certos negros que pretendem o monopólio exclusivo e os concorrentes não negros que falam e discutem os temas por serem especialistas neles ou simplesmente porque se interessam pelo assunto e que precisam ser retirados do mercado.

 

Notem duas coisas a este ponto do argumento. Primeiro, os que podem reivindicar o monopólio dos temas não são todos os negros em geral, mas apenas o que pretendem ter os certificados de autênticos representantes e vozes autorizadas. Outros negros que não se atrevam a negar-lhes o direito de falar em seu nome, pois arriscarão a ser, eles próprios, excluídos, como se arrisca, mais uma vez, este escriba.

 

 

Em segundo lugar, todos os outros títulos e predicados que antes autorizavam as pessoas a falar sobre "temas negros" —formação acadêmica, interesse cultual, empatia etc.— foram unilateralmente cancelados. Que este caso sirva de exemplo a todos: só negros autorizados™ podem dizer qualquer coisa sobre qualquer negro (mesmo porque são todos partes de um mesmo monólito) e seus problemas.

 

Claro, isso não pode ser apresentado em termos mercadológicos, mas sempre em jargão moral: “uma mulher branca dizer o que uma artista negra deve fazer é ofensivo”, por exemplo. Resta saber se, em vez de Beyoncé o criticado fosse Justin Bieber, por exemplo, o que poderia ser feito dessa sentença.

 

É curioso como só nos damos conta desta luta pelo monopólio epistêmico quando há essas escaramuças que vemos nos cancelamentos, linchamentos e assédio digitais. Uma blitzkrieg eficiente sempre rearranja o campo. Para os atacantes, são chances de melhor se posicionarem no mercado epistêmico: quem mais lacrar e mais humilhar mais acumula capital. Naturalmente, quem já está bem posicionado no campo acumulará ainda mais prestígio e distinção.

 

O padrão, que já vimos repetidos milhares de vezes, é sempre o mesmo. Um patrulheiro dá o alarme após detectar aquilo que, na sua sensibilidade identitária, é uma violação das suas crenças. Em seguida, se já não tiver sido o caso, uma voz autorizada™ acionará a sua rede, composta por pessoas que compartilham dogmaticamente as suas crenças, para a denúncia do comportamento inadequado, para a exposição do infrator ou para envergonhá-lo publicamente.

 

E como, na dinâmica dos ambientes digitais, uma rede inevitavelmente toca a outra, em pouquíssimo tempo toda a ecologia midiática da comunidade identitária, composta por vozes autorizadas, mas também por pretendentes a influenciadores digitais e abelhinhas de combate, estarão atacando em enxame para fazer desse caso um exemplo para intimidar futuros infratores.

 

Reafirmados os valores tribais, seguem a vida, a vigilância, as patrulhas, o alarme e novos ataques. Foi só mais um honesto dia de trabalho da polícia identitária.

 

E ai dos atacados, que são vítimas, mas nem isso podem alegar, uma vez que no linchamento identitário são justamente "as vítimas ontológicas", portanto, imunes às circunstâncias, os que lhes arrancam pedaços da reputação, eventualmente empregos e vida, enquanto choram pela opressão estrutural.

 

É luta por acúmulo de autoridade em termos de raça e de etnia. Um capital que depois vai render no mercado de palestras, livros, produtos culturais, posições acadêmicas, convites internacionais, empregos na mídia, cargos públicos e autoridade tribal.

 

O mercado epistêmico é um mercado como qualquer outro, claro, mas não pode aparecer assim e precisa se camuflar como disputa moral pela superioridade no horizonte dos valores. E há os crentes e simpatizantes que juram que há apenas questões morais em jogo.

 

O que me assusta, em todos esses ataques, é a enorme complacência e cumplicidade da esquerda na tentativa de tornar nobre aquilo que, no fundo, é um discurso e um comportamento de um tremendo autoritarismo. O que li nos termos do cancelamento foram coisas como “cala a boca”, “racista”, “se eu fosse você estaria com vergonha agora”, “a antropóloga branca não sabe o seu lugar”. É um filofascismo sem oposição dos antifascistas, porque os antifascistas são cúmplices. Lamentavelmente.

 

A própria Lilia Schwarcz publica um mea-culpa em que aceita, empática, uma por uma as premissas dos que a atacam e que estão lutando por monopólio no mercado epistêmico. Não as examina, não as discute, nada. Renuncia docilmente ao exame racional das alegações e aceita dogmaticamente que quem a ataca tem razão.

 

Mas, vamos ao que deveria ser essencial. É Lilia Schwarcz racista? Não me parece possível. O seu texto é racista? Nada nele dá a entender isso. Por que, então, aceitar as acusações de racista e as descomposturas em que se lhe acusam de ter exorbitado por ter falado sobre o que está proibida de falar simplesmente por não ser da raça ou da cor que reivindica o monopólio do tema?

 

Ora, é muito simples. Porque Lilia Schwarcz é de esquerda —ou progressista ou liberal, vocês escolhem. Na estrutura mental, sentimental e política de um progressista, ela não pode desafiar o dogmatismo, o autoritarismo, o dedo na cara e a interdição quando vêm dos “oprimidos”. Tem que aceitar, pedir desculpa, jurar que não fará de novo.

 

A esquerda pede desculpas aos linchadores-oprimidos até quando sabe que não está errada. “Não desista ainda de mim, posso melhorar”, suplica o progressista. E, em todo caso, torna-se o cúmplice que retroalimenta a fera.

 

Não se iludam: tem muita gente na esquerda que acha que linchamentos, cancelamentos, assédio e assassinatos de reputações só são feios quando praticados pela direita. Pelos identitários, é justiça.

 

Claro, os identitários negros radicais não são bestas. Não cancelam nem lincham os racistas, a direita conservadora. Sabem que os seus ataques seriam inúteis contra um Sérgio Camargo, que ocupa as cotas da direita identitária no governo Bolsonaro e está ali só para que o bolsonarismo tenha uma prova de que não é racista, mas cujo único objetivo na administração púbica parece ser provocar diuturnamente os identitários negros —e todos os outros negros, de sobra.

 

Ou um Olavo de Carvalho, um Weintraub, ou mesmo um dos “garotos” do presidente, que vivem de provocá-los só para ver se vem algum ataque orquestrado dos enxames identitários de esquerda, uma vez que isso lhes daria Ibope, currículo e distinção no bolsonarismo. Que, diga-se de passagem, é estruturalmente um identitarismo de direita, que se alimenta justamente do ressentimento criado pelos identitários de esquerda.

Afinal, Bolsonaro passou a vida agitando panos vermelhos para atiçar a fúria dos identitários de esquerda e capitalizar com isso, com o sucesso eleitoral que todos conhecemos.

 

Os identitários de esquerda, portanto, atacam justamente onde podem machucar, ou seja, só arremetem contra pessoas de esquerda ou pessoas com empatia. Afinal, ninguém pode difamar uma outra pessoa se o alvo justamente desejar a "fama" que se quer imputar-lhe.

Sérgio Camargo acorda todo santo dia para tentar preencher as cotas de insultos de “racista” e “capitão do mato” que os identitários de esquerda vão preencher, inocuamente. Depois vai "printar" e colocar na parede.

 

Já Lilia... bem, Lilia vai pedir desculpas e dizer que aprendeu a lição. Afinal, passou a vida lutando contra o racismo, ensinando contra o racismo, publicando contra o racismo. Nela deve doer ser acusada de racista e, pior, usurpadora do lugar de falar, uma pessoa sem noção que acha que pode compartilhar uma episteme que doravante é monopólio dos negros. Triste isso.