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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

VÍTIMAS DA FOME E A CONTINUIDADE DO CAPITALISMO

VÍTIMAS DA FOME E A CONTINUIDADE DO CAPITALISMO



O problema fundamental de nossa sociedade é a exploração de classe. A produção mercantil capitalista não significa apenas exploração do proletariado, mas fome, desemprego e miséria para o lumpemproletariado. 



Esquecidas: fome mata 10 mil crianças todo mês no mundo

Estimativas apontam que 128 mil crianças no mundo morrerão de fome nos primeiros 12 meses de pandemia. Crise causada pelo coronavírus tem agravado a situação da fome em várias partes do planeta

Foto: Wikimedia Commons

O Burkina Faso é um país africano limitado a oeste e a norte pelo Mali. O PIB do país é um dos piores do mundo em valores per capita: apenas US$ 1.500 dólares. A agricultura representa 32% do seu Produto Interno Bruto e é a ocupação de cerca de 80% da população economicamente ativa.

Com a pandemia de Covid-19 e a longa espera pela colheita, a fome no país está ainda mais feroz do que a maioria das pessoas já conheceu.

Essa fome já está perseguindo Haboue Solange Boue, uma criança que perdeu metade de seu antigo peso corporal de 2,5 quilos no mês passado. Com os mercados fechados devido às restrições do coronavírus, sua família vendeu menos vegetais. Sua mãe está desnutrida demais para amamentá-la.

“Meu filho”, sussurra Danssanin Lanizou, sufocando as lágrimas enquanto desembrulhava um cobertor para revelar as costelas salientes de seu bebê. O bebê choraminga silenciosamente.

A fome ligada ao vírus está causando a morte de mais 10 mil crianças por mês, em todo o mundo, durante o primeiro ano da pandemia, de acordo com um apelo urgente das Nações Unidas compartilhado com a The Associated Press antes de sua publicação no jornal médico Lancet.

Mais de 550 mil crianças adicionais a cada mês estão sendo atingidas por uma desnutrição que se manifesta em membros magros e barrigas distendidas. Em um ano, isso representa um aumento de 6,7 milhões em relação ao total de 47 milhões do ano passado. O desgaste e o retardo de crescimento podem causar danos físicos e mentais permanentes às crianças, transformando tragédias individuais em uma catástrofe geracional.

Em Burkina Faso, por exemplo, uma em cada cinco crianças sofre de desnutrição crônica. Os preços dos alimentos dispararam e 12 milhões dos 20 milhões de residentes do país não têm o suficiente para comer.

Da América Latina ao Sul da Ásia e à África Subsaariana, mais famílias do que nunca estão diante de um futuro sem comida suficiente. A análise revelou que cerca de 128 mil crianças morrerão nos primeiros 12 meses do vírus.

Fome na América do Sul

Crianças de países da América do Sul também sofrem com a fome. No Brasil, metade das crianças de até 5 anos moram em lares com restrição de comida. E 10,3 milhões de brasileiros passam fome.

“Os pais das crianças estão desempregados”, disse Annelise Mirabal, que trabalha com uma fundação que ajuda crianças desnutridas em Maracaibo, a cidade da Venezuela até agora mais atingida pela pandemia. “Como eles vão alimentar seus filhos?”

Muitos são filhos de imigrantes que estão fazendo a viagem de volta à Venezuela vindos do Peru, Equador ou Colômbia, onde suas famílias ficaram desempregadas e impossibilitadas de comprar alimentos durante a pandemia. Outros são filhos de migrantes que ainda estão no exterior e não puderam enviar dinheiro para comprar mais comida.

“Todos os dias recebemos uma criança desnutrida”, disse o Dr. Francisco Nieto, que trabalha em um hospital na fronteira com o estado de Táchira. Ele acrescentou que eles se parecem “com crianças que não vemos há muito tempo na Venezuela”, aludindo àqueles que passam fome em partes da África.

Fome no Afeganistão e Iêmen

O Afeganistão está agora em uma zona vermelha de fome, com desnutrição infantil severa passando de 690 mil em janeiro para 780 mil – um aumento de 13%, de acordo com o UNICEF. Os preços dos alimentos subiram mais de 15% e um estudo recente da Universidade Johns Hopkins indicou que mais 13 mil afegãos com menos de 5 anos podem morrer.

Quatro em cada dez crianças afegãs já sofrem de nanismo. O nanismo acontece quando as famílias vivem com uma dieta barata de grãos ou batatas, com cadeias de suprimentos em desordem e dinheiro escasso.

No Iêmen, as restrições ao movimento também bloquearam a distribuição de ajuda, juntamente com a paralisação de salários e aumentos de preços. O país mais pobre do mundo árabe está sofrendo ainda mais com uma queda nas remessas e uma grande queda no financiamento de agências humanitárias.

O Iêmen está agora à beira da fome, de acordo com a Rede de Sistemas de Alerta Antecipado da Fome, que usa pesquisas, dados de satélite e mapeamento do clima para localizar os locais mais necessitados. Um relatório do UNICEF previa que o número de crianças desnutridas poderia chegar a 2,4 milhões até o final do ano, um aumento de 20%.

Dias depois de o bebê de 7 meses Issa Ibrahim deixar um centro médico no empobrecido distrito de Hajjah ao norte, ele sucumbiu a uma desnutrição aguda grave. Sua mãe encontrou o corpo em 7 de julho, sem vida e com frio.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

domingo, 6 de setembro de 2015

ANT: auto-organização dos trabalhadores revolucionários na luta contra o capital

A ANT - Associação Nacional dos Trabalhadores, de tendência autogestionária, acaba de ser fundada no Brasil. A ANT se coloca como não sendo um sindicato, partido ou organização burocrática, não sendo uma entidade supostamente "representativa" dos trabalhadores. Ela se coloca como sendo a auto-organização dos trabalhadores revolucionários e autogestionários que busca expressar os interesses do proletariado revolucionário e avançar na luta pela hegemonia proletária.

Veja mais em: http://ant-luta.blogspot.com.br/

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Questão da Organização em Anto Pannekoek


Acaba de ser publicado o livro "A Questão da Organização em Anton Pannekoek", organizado por Lisandro Braga e Nildo Viana, e contando com textos de Edmilson Marques, Lucas Maia, Nildo Viana e Renato Souza. Para ter acesso ao sumário e dados do livro, clique aqui.

Trechos da Apresentação do livro:

"Pannekoek foi desenvolvendo suas teses com o passar do tempo, sendo que algumas ideias manteve até o final de sua vida e aprofundou algumas, enquanto que outras ele repensou e reconsiderou. Para analisar as ideias de Pannekoek é necessário ter em mente o seu percurso intelectual. O seu pensamento atravessou algumas fases. Vamos resumir rapidamente estas fases para compreender mais adequadamente o seu pensamento".
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"Após isto, Pannekoek cada vez mais se coloca numa posição semelhante a de outros militantes e teóricos da época (Otto Rühle, Paul Mattick, Herman Gorter, etc.) e as experiências das revoluções proletárias serviram para que a ênfase nas formas de auto-organização proletária, os conselhos operários, se tornasse mais nítido. Neste contexto, a crítica a partidos e sindicatos se torna mais ampla, bem como a oposição às burocracias em geral e ao capitalismo de estado russo".
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"A sua obra Os Conselhos Operários é uma síntese das experiências e reflexões de Pannekoek durante este período e é por isso que ele discute o processo de formação dos conselhos, seu papel, sua importância – além de análises breves de questões específicas, como a Revolução Russa – e discute não só a questão organizacional proletária como também a questão do pensamento e das ideologias (no sentido amplo do termo), além de analisar a guerra e o fascismo".
...
"A afirmação segundo a qual a questão da organização é fundamental para Pannekoek pode gerar a ideia de que ele poderia pensar os conselhos operários de forma fetichista. No entanto, não é este o caso. A questão das organizações recebeu tratamento diferenciado por Pannekoek, dependendo da época em que escrevia e do tipo de organização. Lembrando que o pensamento de Pannekoek atravessou algumas fases e que nestas algumas idéias permaneceram, algumas foram abandonadas e novas foram gestadas, é preciso compreender a concepção de organização em Pannekoek vinculado a este processo".
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"Um questionamento pode ser feito ao terminar esta breve análise sobre a questão da organização em Pannekoek: como fica a questão das organizações dos revolucionários?" 
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"Nesse sentido, o livro inicia com o capítulo A questão da Organização Proletária escrito por Edmilson Marques no qual ele apresenta a concepção de Pannekoek sobre a mesma, acompanhado dos capítulos de Nildo Viana, Anton Pannekoek e a Questão Sindical, e de Renato Dias, Anton Pannekoek e os Partidos Políticos, nos quais eles discutem a posição de Pannekoek sobre os sindicatos e os partidos políticos. No último capítulo intitulado Os Conselhos Operários de Anton Pannekoek: Uma Utopia-Concreta da Revolução Proletária, Lucas Maia apresenta a revolução proletária como uma tendência histórica na sociedade capitalista".

BRAGA, Lisando e VIANA, Nildo. A Questão da Organização em Anton Pannekoek. Rio de Janeiro: Achiamé, 2011.