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sábado, 21 de setembro de 2019

A União Operária contra Partidos e Sindicatos - Otto Rühle

Linhas de Orientação para a AAU-E* 

Otto Rühle

junho de 1921

A. AAU-E [1] é uma organização unitária política e econômica do proletariado revolucionário.
A AAU-E luta pelo comunismo, socialização da produção das matérias primas, dos meios de produção e das forças produtivas, assim como dos bens de consumo que deles são produto. A AAU-E quer estabelecer a produção e a repartição planificadas em substituição da produção e da repartição capitalistas atuais.
O fim último da AAU-E é a sociedade em que todo o Poder foi abolido, o caminho para esta sociedade passa pela ditadura do proletariado, que é a vontade dos operários determinando exclusivamente a organização política e econômica da sociedade comunista graças à organização dos conselhos.

4. As tarefas mais urgentes da AAU-E são:

a) destruição dos sindicatos e partidos políticos, principais obstáculos à unificação da classe proletária e ao ulterior desenvolvimento da revolução social, que não pode ser tarefa de partido ou sindicato;
b) união do proletariado revolucionário nas empresas, células de produção, fundamento da sociedade futura. A forma de toda a união é a organização de empresa;
c) desenvolvimento da consciência de si e da solidariedade dos trabalhadores;
d) preparação de todas as medidas que serão necessárias para a edificação política e econômica do comunismo.

5. A AAU-E rejeita todos os métodos reformistas e oportunistas de combate, opõe-se a qualquer participação parlamentarista e aos conselhos de empresa legais, pois tal participação significa sabotagem da ideia dos conselhos.

6. A AAU-E rejeita fundamentalmente todos os chefes profissionais. Tais chefes funcionaram só como conselheiros.

7. Todas as funções nas AAU-E são voluntárias.

8. A AAU-E considera o combate de libertação do proletariado não como um assunto nacional, mas como uma tarefa internacional. Por isso se esforça por conseguir a reunião do conjunto do proletariado mundial numa internacional dos conselhos.


Notas:

* Estas teses foram apresentadas pelos distritos de Saxe Oriental e de Hamburgo à 4ª Conferências da AAUD (União Geral dos Trabalhadores da Alemanha) - Junho de 1921. Foram adoptadas como definitivas pela 1ª Conferência Autônoma da Oposição em Outubro de 1921.

[1] AAU-E - União Geral dos Trabalhadores - Organização Unitária. Ela foi uma das duas uniões operárias que reuniam conselhos operários durante a Revolução Alemã. A AAU era ligada ao KAPD (Partido Comunista Operária da Alemanha), do qual Rühle fez parte e redigiu seu programa (incluindo a crítica dos partidos políticos em geral e por isso ele se autodeclarava um "não-partido), apesar do nome. Devido a divergência sobre a ação que deveria ser efetivada na Rússia no encontro da Internacional Comunista (a posição de Gorter e da maioria é que era preciso participar do congresso e articular uma oposição internacional ao bolchevismo e Rühle, depois de um debate com Lênin, que leu trechos do seu livro O Esquerdismo, A Doença Infantil do Comunismo, resolver retornar da Rússia e não participou do congresso), houve uma cisão entre Gorter (que era um dos mais destacados militantes do KAPD) e Rühle, que foi expulso do partido e aglutinou conselhos operários numa nova União Operária, a AAU-E. Após a derrota da Revolução Alemã, Gorter e Rühle voltam a se reunir numa organização revolucionária de comunistas de conselhos. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Questão da Organização em Anto Pannekoek


Acaba de ser publicado o livro "A Questão da Organização em Anton Pannekoek", organizado por Lisandro Braga e Nildo Viana, e contando com textos de Edmilson Marques, Lucas Maia, Nildo Viana e Renato Souza. Para ter acesso ao sumário e dados do livro, clique aqui.

Trechos da Apresentação do livro:

"Pannekoek foi desenvolvendo suas teses com o passar do tempo, sendo que algumas ideias manteve até o final de sua vida e aprofundou algumas, enquanto que outras ele repensou e reconsiderou. Para analisar as ideias de Pannekoek é necessário ter em mente o seu percurso intelectual. O seu pensamento atravessou algumas fases. Vamos resumir rapidamente estas fases para compreender mais adequadamente o seu pensamento".
...
"Após isto, Pannekoek cada vez mais se coloca numa posição semelhante a de outros militantes e teóricos da época (Otto Rühle, Paul Mattick, Herman Gorter, etc.) e as experiências das revoluções proletárias serviram para que a ênfase nas formas de auto-organização proletária, os conselhos operários, se tornasse mais nítido. Neste contexto, a crítica a partidos e sindicatos se torna mais ampla, bem como a oposição às burocracias em geral e ao capitalismo de estado russo".
...
"A sua obra Os Conselhos Operários é uma síntese das experiências e reflexões de Pannekoek durante este período e é por isso que ele discute o processo de formação dos conselhos, seu papel, sua importância – além de análises breves de questões específicas, como a Revolução Russa – e discute não só a questão organizacional proletária como também a questão do pensamento e das ideologias (no sentido amplo do termo), além de analisar a guerra e o fascismo".
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"A afirmação segundo a qual a questão da organização é fundamental para Pannekoek pode gerar a ideia de que ele poderia pensar os conselhos operários de forma fetichista. No entanto, não é este o caso. A questão das organizações recebeu tratamento diferenciado por Pannekoek, dependendo da época em que escrevia e do tipo de organização. Lembrando que o pensamento de Pannekoek atravessou algumas fases e que nestas algumas idéias permaneceram, algumas foram abandonadas e novas foram gestadas, é preciso compreender a concepção de organização em Pannekoek vinculado a este processo".
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"Um questionamento pode ser feito ao terminar esta breve análise sobre a questão da organização em Pannekoek: como fica a questão das organizações dos revolucionários?" 
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"Nesse sentido, o livro inicia com o capítulo A questão da Organização Proletária escrito por Edmilson Marques no qual ele apresenta a concepção de Pannekoek sobre a mesma, acompanhado dos capítulos de Nildo Viana, Anton Pannekoek e a Questão Sindical, e de Renato Dias, Anton Pannekoek e os Partidos Políticos, nos quais eles discutem a posição de Pannekoek sobre os sindicatos e os partidos políticos. No último capítulo intitulado Os Conselhos Operários de Anton Pannekoek: Uma Utopia-Concreta da Revolução Proletária, Lucas Maia apresenta a revolução proletária como uma tendência histórica na sociedade capitalista".

BRAGA, Lisando e VIANA, Nildo. A Questão da Organização em Anton Pannekoek. Rio de Janeiro: Achiamé, 2011.